- A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, ampliando o foco para acionistas de referência, integrantes do conselho e executivos de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, com nove mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens que pode chegar a R$ 54 bilhões.
- O objetivo é apurar se esses responsáveis tinham conhecimento ou participaram do esquema que inflou artificialmente os resultados da Americanas por meio de operações de risco sacado e de verbas de propaganda cooperada, ocultando dívidas e manipulando balanços.
- A fraude veio a público em janeiro de 2023, quando as inconsistências contábeis foram estimadas inicialmente em cerca de R$ 20 bilhões; com o tempo, o prejuízo potencial subiu para até R$ 54 bilhões. Em 2024 houve a primeira fase da operação e, em 2025, o Ministério Público Federal denunciou 13 ex-dirigentes.
- Entre os alvos estão Paulo Alberto Lemann, Carlos Alberto Sicupira, Eduardo Saggioro Garcia, José Rudge, Gustavo Balassiano, Carlos Henrique Villela Pedras, Sergio Rial, André Almeida e Alexandre Abdo.
- Os bancos Itaú Unibanco e Bradesco se manifestaram: o Bradesco afirmou que acompanha o caso e está à disposição das autoridades; o Itaú disse não ser investigado, mas que coopera com as autoridades desde 2023. A Americanas também disse que continuará colaborando com as investigações.
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, ampliando as apurações sobre a fraude contábil nas Americanas. Nesta etapa, foram alvo acionistas de referência, membros do conselho e executivos de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo, com bloqueio de bens que pode chegar a 54 bilhões de reais.
Segundo as autoridades, o objetivo é verificar se essas pessoas tinham conhecimento ou participação no esquema que inflou artificialmente resultados da varejista por meio de operações de risco sacado e de verbas de propaganda cooperada. Existem indícios, em tese, de manipulação de mercado e de associação criminosa.
A fraude veio a público em janeiro de 2023, quando inconsistências contábeis inicialmente estimadas em 20 bilhões de reais foram identificadas. Com o avanço das investigações, o saldo potencial chegou a 54 bilhões. Em 2024, a primeira fase focou ex-executivos; em 2025, o Ministério Público denunciou 13 ex-dirigentes.
Alvos da nova etapa
Paulo Alberto Lemann, acionista da Americanas e ex-integrante do conselho, é filho de Jorge Paulo Lemann e atua na gestão dos investimentos da família. Beto Sicupira, empresário e investidor, é um dos fundadores da 3G Capital e figura entre os principais acionistas.
Eduardo Saggioro Garcia, executivo do mercado financeiro, compõe o conselho e é apontado como operador direto dos acionistas de referência. José Rudge e Gustavo Balassiano são executivos do Itaú Unibanco, com atuação em relacionamento com grandes empresas. Carlos Henrique Villela Pedras atua no Bradesco, com foco em crédito a grandes clientes.
Sergio Rial, ex-presidente do Santander Brasil, ficou conhecido por anunciar as inconsistências contábeis ao assumir a liderança da Americanas em 2023, permanecendo apenas nove dias. André Almeida atua no Santander como vice-presidente executivo, lidando com clientes empresariais, enquanto Alexandre Abdo chefiou Banking & Corporate Finance no banco.
Outros alvos incluem a participação de executivos do Santander ligados a operações com grandes empresas. Todas as partes foram procuradas pela imprensa, e Itaú e Bradesco já se manifestaram, com o Bradesco afirmando que acompanha as autoridades e o Itaú ressaltando cooperação contínua, sem admitir investigação formal contra o banco.
A Americanas informou que continuará colaborando com as autoridades e reiterou ser parte interessada no esclarecimento dos fatos. A relação entre a fraude, as fases da operação e os impactos no mercado segue sob investigação oficial.
Entre na conversa da comunidade