- Fraudes contábeis supostamente cometidas pela antiga diretoria da Americanas inflaram lucros e distorceram balanços ao longo de anos.
- Em janeiro de 2023, o então presidente Sérgio Rial anunciou inconsistências contábeis de cerca de R$ 20 bilhões; dias depois, a empresa pediu recuperação judicial com caixa declarado de R$ 800 milhões (reduzido a R$ 250 milhões) e dívida de aproximadamente R$ 43 bilhões a 16,3 mil credores.
- Em comunicado de 2023, a empresa apontou lucro fictício total de R$ 25,3 bilhões, com fraudes nos valores de R$ 21,7 bilhões, R$ 18,4 bilhões, R$ 2,2 bilhões e R$ 3,6 bilhões.
- Os artifícios envolveram créditos fictícios para reduzir obrigações com fornecedores e operações de risco sacado (adiantamento a fornecedores), usadas para adiantar dinheiro a bancos e alongar prazos de pagamento.
- A gestão da Americanas era controlada pelos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira até 2021; após reestruturação, continuam entre os principais acionistas.
Foi revelado que fraudes contábeis inflaram lucros da Americanas ao longo de anos, segundo a atual diretoria. A empresa aponta irregularidades que teriam moldado resultados de forma artificial, a fim de manter acesso a financiamentos.
A notícia sobre o suposto esquema veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando o ex-presidente Sérgio Rial anunciou seu desligamento e informou ter encontrado inconsistências contábeis de cerca de 20 bilhões de reais nos balanços. A empresa confirmou falhas relevantes.
Poucos dias depois, em 19 de janeiro, a Americanas pediu recuperação judicial. A empresa declarou caixa de apenas 800 milhões de reais, mais tarde reduzidos a 250 milhões por bloqueio de recebíveis. A dívida soma cerca de 43 bilhões de reais com 16,3 mil credores.
Em 2023, a Justiça autorizou o pedido de recuperação, considerado, à época, um dos maiores da história do Brasil. A empresa também informou que o rombo contábil seria de 25,3 bilhões de reais, com fraudes atingindo diversos montantes ao longo de anos.
Segundo comunicado da Americanas, os desvios envolveram o uso de créditos fictícios para reduzir obrigações com fornecedores. Paralelamente, operações de risco sacado, também chamadas de adiantamento a fornecedores, foram usadas para antecipar pagamentos a bancos e fornecedores.
A prática de risco sacado ganhou espaço diante do aumento da taxa de juros, segundo especialistas. A empresa buscava alongar prazos de pagamento para contornar problemas de caixa, o que elevou o volume dessas operações.
Analistas destacam que a contabilidade foi estruturada para apresentar números mais estáveis ao mercado e facilitar novas linhas de crédito. A gestão associada aos desvios orientou-se, ainda, pela necessidade de manter a empresa funcionando com financiamento externo.
A Americanas foi criada em 1929 em Niterói (RJ) e, até 2021, teve Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira como principais controladores. A reestruturação societária reduziu a participação do trio, ainda hoje influente entre os acionistas úr.
Dados da empresa apontam uma operação com quase 24 mil funcionários e atuação ampla no varejo. A fiscalização e investigações seguem para apurar responsabilidades e evitar novos desvios em demonstrações contábeis futuras.
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