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Governo impulsiona leilão de baterias de R$20 bilhões no setor elétrico

Leilão de armazenamento por baterias movimenta até R$ 20 bilhões em investimentos; disputa envolve nacionais e estrangeiras, com contratos de quinze anos

Projeto de reserva de energia com bateria da ISA Energia em Registro (SP), que entrou em operação em 2022
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  • Leilão de reserva de energia por baterias (BESS) pode movimentar até 20 bilhões de reais, com disputas entre empresas nacionais e estrangeiras, em dezembro.
  • Serão dois certames em dezembro: 2 de dezembro com conteúdo local e 4 de dezembro sem essa exigência; contratos de quinze anos e início de fornecimento previsto para 1º de agosto de 2028.
  • Volume contratado deve ficar entre cinco e seis gigawatts; cadastro de projetos vai de 15 de junho a 31 de julho; exigir baterias novas, mínimo de trinta megawatts, até quatro horas de operação, 85% de eficiência e recarga de até seis horas.
  • Interessados incluem Axia, ISA Energia, Auren, Eneva, Weg, Newave, Petra​lgas, Matrix, Taesa, além de gigantes globais como BYD e Tesla; o BNDES sinaliza aporte de pelo menos 27 bilhões de reais via Fundo Clima.
  • Discussões sobre conteúdo local variando entre vinte e quarenta por cento; autoridades buscam equilibrar atração de investimentos com fortalecimento da indústria brasileira e segurança energética.

O governo federal lançou o edital para o leilão de reserva de armazenamento de energia por baterias (BESS), estimando investimentos de até 20 bilhões de reais. Grandes players do setor elétrico nacional—incluindo Axia, ISA Energia, Auren, Eneva, Weg, Newave Capital, Petrobras, Matrix e Taesa—já sinalizam interesse, assim como gigantes globais como BYD e Tesla. A disputa está prevista para dezembro, em dois certames com regras distintas.

O certame, promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), visa contratar entre 5 GW e 6 GW de reserva de capacidade, após a experiência do último leilão de termos termos de reserva de energia ter ficado abaixo do esperado. Os contratos têm duração de 15 anos, com início de fornecimento previsto para 2028. A ideia central é aumentar a segurança energética e reduzir custos em horários de ponta.

A disputa será realizada em duas fases: o primeiro leilão, em 2 de dezembro, exigirá conteúdo local; o segundo, em 4 de dezembro, terá regras mais abertas, permitindo participação internacional sem exigência de fábrica instalada no Brasil. O governo discute ainda o quanto as empresas devem fabricar no país, com debates entre governo e técnicos sobre percentuais de conteúdo local, estimados entre 20% e 40%.

O BNDES participa das negociações para viabilizar financiamento, com previsão de dedicar pelo menos 27 bilhões de reais por meio do Fundo Clima, para apoiar projetos de armazenamento de energia tanto para o leilão quanto para a cadeia de produção no longo prazo. A Secretaria Nacional Substituta de Transição Energética e Planejamento do MME destacou que o leilão busca atender à crescente demanda e garantir a confiabilidade do sistema elétrico.

Para quem vencer, a exigência é oferecer baterias novas, com potência mínima de 30 MW e capacidade contínua de até quatro horas, com eficiência de pelo menos 85% e recarga máxima de seis horas. A maior parte dos projetos tende a emergir de fontes renováveis, como eólica e solar, com o objetivo de reduzir o curtailment e estabilizar a transmissão.

Entre os players já ativos, a Axia, detentora de 17% da capacidade nacional, abriu em junho uma planta híbrida em Casa Nova (BA) que combina geração solar, eólica, armazenamento em baterias e um data center. A ISA Energia, responsável pela primeira e maior instalação de armazenamento em larga escala no Brasil, em Registro (SP), avalia o leilão com cautela financeira, destacando o papel do BESS na estabilidade do sistema.

Analistas e entidades do setor veem o BESS como instrumento para reduzir custos quando a demanda dispara, especialmente no fim do dia, ao mesmo tempo em que favorece a incorporação de fontes renováveis. A Absae aponta que cada ganho de 1 GW/ano em reserva por baterias poderia reduzir gastos em comparação com a geração a gás natural, fortalecendo a segurança energética.

O ambiente político federal, ainda em construção, não marca data de conclusão, mas especialistas apostam que o calendário técnico da Aneel, responsável pela condução do leilão, deve manter o ritmo independentemente de mudanças no governo. O tema tributário também é citado, com discussões sobre reduzir a carga para equipamentos importados e alinhar a tributação a padrões de outros tipos de geração.

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