- O petróleo voltou a ser negociado próximo de níveis anteriores à guerra no Oriente Médio, com o Brent a US$ 72,43-73,11 e o WTI próximo de US$ 68,91-69,59, conforme horário local.
- A retomada do trânsito pelo Estreito de Hormuz elevou as expectativas de normalização da oferta, ajudando a reduzir pressões nos preços.
- O Estreito registrou 31 travessias confirmadas, com a maioria (20) ocorrendo no sentido Oeste-Leste, isto é, saindo da região.
- A Agência Internacional de Energia prevê recuperação da oferta global nos próximos meses, chegando a 8 milhões de bpd em 2027, após queda em 2026.
- Estados Unidos autorizaram vendas de petróleo iraniano nesta semana; os estoques de petróleo dos EUA caíram para 743,3 milhões de barris na semana encerrada em 19 de junho, menor nível desde 1984.
O petróleo volta a operar próximo dos níveis pré-guerra no Oriente Médio, com o Brent a US$ 72,43 o barril e o WTI perto de US$ 69,59. O movimento acompanha expectativa de fim do conflito e retomada da navegação pelo Estreito de Hormuz, rota que já respondia por cerca de 20% do fornecimento mundial.
Às 8h de Brasília, o Brent operava a US$ 73,11, queda de 1,03% em relação ao fechamento de ontem. O WTI valia US$ 68,91, após máxima de US$ 69,59 para agosto. Os preços refletem a percepção de que a normalização dos fluxos pode aliviar a pressão de oferta.
A retomada do trânsito no Estreito de Hormuz é citada como principal fator de tranquilização para o mercado. Navios têm transitado pela rota, que ligava o Golfo Pérsico ao oceano Índico, contribuindo para reduzir preocupações com gargalos de fornecimento.
Trânsito no estreito segue ativo, com 31 travessias confirmadas, segundo a Kpler. Os movimentos ocorreram principalmente no sentido Oeste-Leste, de saída da região, com 20 passagens, contra 11 no sentido inverso. A operação ainda está abaixo dos níveis pré-guerra.
A movimentação atual supera a média da fase de conflito, quando havia semanas com menos de dez petroleiros passando pela passagem. Analistas do ING observam sinais positivos do Golfo Pérsico para os fluxos de petróleo, ainda que abaixo do patamar de antes da crise.
Sanções, estoques e previsões
Estados Unidos autorizaram vendas de petróleo iraniano nesta semana, flexibilizando sanções para facilitar um possível acordo de paz com Teerã. A negociação envolve inspeções nucleares e livre trânsito pelo Estreito, embora persistam dúvidas sobre a durabilidade do entendimento.
Estoques de petróleo americano continuam apertados, mesmo com a queda de preços. A EIA informou queda de 15,1 milhões de barris na semana encerrada em 19 de junho, para 743,3 milhões, o menor nível desde 1984.
O J.P. Morgan revisou para baixo a expectativa de preços do Brent no segundo semestre de 2026, citando estoques e demanda mais fraca. A instituição passou a projetar médias de US$ 86 no 3º trimestre e US$ 80 no 4º.
Por que Hormuz é importante
O Estreito de Hormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente passava pela passagem, tornando qualquer interrupção sensível aos preços globais.
A rota é crítica para o abastecimento, com impactos diretos em cadeias logísticas de combustíveis e fertilizantes. As regras de passagem em trânsito são previstas pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, em Montego Bay.
Mesmo sem ratificação formal, o Irã é visto como obrigado a respeitar normas que viraram costume internacional. Decisões da Corte Internacional de Justiça reforçam o entendimento de passagem livre em estreitos internacionais.
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