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PF aponta alvos no caso de fraude nas Americanas envolvendo Sicupira e Lemann

Nova fase da Operação Disclosure mira acionistas de referência e executivos ligados a instituições financeiras, com bloqueio de ativos de até R$ 54 bilhões

Entre os alvos está o empresário Carlos Alberto Sicupira, um dos principais acionistas da Americanas. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press)
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  • A nova fase da Operação Disclosure, deflagrada pela PF e pelo MPF, mira acionistas de referência da Americanas, antigos membros do conselho e executivos ligados a instituições financeiras.
  • Entre os investigados estão Carlos Alberto Sicupira, Eduardo Saggioro, Paulo Alberto Lemann, Gustavo Ballassiano, Carlos Henrique Villela Pedras, Sérgio Rial e André Almeida.
  • A Justiça Federal autorizou nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de bloqueio de patrimônio que pode chegar a 54 bilhões de reais.
  • Os investigadores buscam esclarecer o envolvimento de acionistas e representantes de bancos nas irregularidades contábeis, com indícios de uso de operações de risco sacado e verbas de propaganda cooperada sem lastro econômico.
  • Segundo a PF, há indícios de manipulação de mercado e de associação criminosa, com demonstrações financeiras possivelmente alteradas para esconder o endividamento real da empresa.

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram nesta quinta-feira, 25/6, a nova fase da Operação Disclosure, que mira a fraude bilionária nas Americanas. A atuação concentra-se em acionistas de referência, antigos membros do conselho e executivos ligados a instituições financeiras, acusados de participação ou conhecimento das irregularidades contábeis.

Entre os investigados estão o empresário Carlos Alberto Sicupira, um dos principais acionistas da Americanas, e o ex-presidente do conselho Eduardo Saggioro. Também aparecem Paulo Alberto Lemann, ex-conselheiro e filho de Jorge Paulo Lemann, além de executivos de bancos, como Gustavo Ballassiano do Itaú, Carlos Henrique Villela Pedras do Bradesco e Sérgio Rial, ex-presidente do Santander e ex-diretor-presidente da Americanas. André Almeida, ligado ao Santander, também figura entre os alvos.

A Justiça Federal autorizou nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo e determinou o bloqueio de patrimônio dos investigados que pode chegar a 54 bilhões de reais, conforme estimativas dos peritos. A operação busca esclarecer o papel de ativos de acionistas e de representantes de instituições financeiras nas irregularidades contábeis.

Nova etapa da investigação

Segundo a PF, há indícios de que os investigados teriam conhecimento de práticas usadas ao longo de anos, envolvendo operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC). A apuração pretende verificar se houve manipulação de mercado e formação de associação criminosa.

As apurações apontam que demonstrações financeiras da Americanas teriam sido alteradas para esconder o real endividamento e apresentar uma situação patrimonial mais favorável ao mercado. Balanços distorcidos serviriam para manter as ações valorizadas e remunerar executivos com resultados divulgados.

A fraude teria se iniciado antes de 2023, quando a empresa revelou inconsistências contábeis estimadas em cerca de 20 bilhões de reais, levando à recuperação judicial. A 2ª fase da Disclosure amplia o foco para acionistas e representantes de bancos, com o objetivo de mapear responsabilidades.

Contexto e desdobramentos

A primeira fase, em 2024, apurou ex-dirigentes da Americanas e resultou em prisões e buscas. Um dos principais investigados, Miguel Gutierrez, chegou a ser preso na Espanha, mas teve a prisão preventiva revogada pelo TRF-2. Em março, o MPF denunciou 13 antigos executivos por organização criminosa, manipulação de mercado e falsidade ideológica.

A Americanas informou, em março, que solicitou o encerramento da recuperação judicial, alegando cumprimento das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores. A nova etapa da investigação prossegue para esclarecer a participação de acionistas e instituições privadas nas supostas irregularidades contábeis.

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