- Polícia Federal realiza a segunda fase da Operação Disclosure, nesta quinta-feira, cumprindo nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, com apoio do Ministério Público Federal.
- A Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores até o limite de R$ 54 bilhões em nome dos investigados.
- A investigação mira possível participação de acionistas e representantes de bancos privados, em fraudes contábeis associadas a operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada sem lastro econômico.
- Existem indícios, em tese, de crimes de manipulação de mercado e associação criminosa, com ex-executivos supostamente inflando lucros e valor de ações para beneficio próprio.
- A Americanas não comentou a operação até o momento; a primeira fase, em 2023, revelou inconsistências contábeis que levaram à recuperação judicial.
A Polícia Federal realiza a segunda fase da Operação Disclosure, nesta quinta-feira, 25. A ação mira uma suposta fraude contábil de 54 bilhões de reais na Americanas, com apoio do Ministério Público Federal. A PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, incluindo buscas pessoais. A Justiça Federal do Rio determinou o sequestro de bens e valores até esse limite.
A apuração investiga a participação de acionistas e representantes de grandes bancos privados. A investigação aponta indícios de fraudes contábeis ao longo de anos, envolvendo operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada contabilizados sem lastro econômico. Em tese, há suspeitas de manipulação de mercado e de associação criminosa.
Indícios apontam que ex-executivos teriam organizado o esquema para inflar lucros e o caixa da empresa, ocultando dívidas e manipulando balanços. Isso visava valorizar ações negociadas na bolsa, com bônus milionários vinculados ao desempenho financeiro. A PF não confirmou nomes específicos até o fechamento desta matéria.
A Americanas não comentou a operação até o momento da publicação.
Contexto histórico da investigação
O caso de fraude contábil das Americanas veio a público em 11 de janeiro de 2023, com inconsistências em lançamentos contábeis que chegaram a 20 bilhões de reais e levaram a empresa a pedir recuperação judicial. Em junho de 2024, a PF realizou a primeira fase da Disclosure, com prisões e buscas contra ex-executivos.
O ex-CEO Miguel Gutierrez chegou a Ser preso em Madri, na Espanha, após ter nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Em agosto de 2024, a prisão preventiva dele foi revogada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que afirmou não haver fuga da jurisdição brasileira. Em março de 2025, o Ministério Público Federal denunciou 13 ex-funcionários e ex-executivos.
Em março de 2026, a Americanas informou ter pedido ao Judiciário o encerramento do processo de recuperação judicial, depois de cumprir as obrigações previstas no plano aprovado pelos credores. A medida ocorreu dentro do prazo legal de dois anos após a homologação.
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