- A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, com buscas e o bloqueio de bens de envolvidos em fraude contábil nas Americanas, totalizando R$ 54 bilhões.
- Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em diferentes endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo, com sequestro de ativos para ressarcimento.
- Entre os alvos estão grandes acionistas e investidores, como Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann; Lemann é filho de Jorge Paulo Lemann e não é alvo das buscas desta fase.
- A investigação aponta uma estrutura para inflar lucros artificialmente, valorizar ações e pagar bônus atrelados ao desempenho, além de indícios de manipulação de mercado e associação criminosa.
- O caso remonta a janeiro de 2023, quando começaram as irregularidades, e acompanha o andamento da recuperação judicial da empresa, que recentemente foi encerrada pela companhia.
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, ampliando investigações sobre o colapso financeiro das Americanas. Com apoio do Ministério Público Federal, buscas foram realizadas em endereços de grandes acionistas e de operadores ligados ao grupo. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é apurar fraude contábil que gerou um rombo bilionário.
A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens no total de 54 bilhões de reais para garantir ressarcimento. A ação mira especialmente grandes acionistas e representantes de instituições financeiras privadas que atuavam com a varejista. A operação busca esclarecer irregularidades envolvendo maquiagem de balanços e valorizações artificiais das ações.
Entre os alvos, concentram-se nomes de investidores conhecidos no cenário nacional. Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann estão na lista de investigados. Eduardo Saggioro Garcia figura como operador direto de sócios, com endereços também vasculhados. Lemann não é alvo de buscas no momento, embora tenha relação com o grupo.
Segundo as autoridades, a engenharia criminosa foi montada pela antiga gestão para inflate lucros e ocultar o endividamento real. A prática visava valorizar ações na bolsa e assegurar bônus atrelados ao desempenho das ações. PF e Ministério Público apontam desvios relevantes no mercado financeiro.
O esquema teria sido iniciado antes de 2023, com as primeiras inconsistências contábeis reveladas em janeiro daquele ano, estimadas em 20 bilhões de reais. A revelação provocou a crise e levou ao pedido de recuperação judicial da empresa dias depois. A Justiça mantém sigilo sobre detalhes operacionais.
Desdobramentos judiciais e recuperação
A Operação Disclosure já teve desdobramentos anteriores. Em 2024, ex-executivos foram presos e documentos foram apreendidos. O ex-CEO Miguel Gutierrez chegou a ter prisão preventiva decretada pela Interpol, mas foi revogada pelo TRF-2 em 2024, por ausência de risco de fuga.
Em março de 2025, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra 13 ex-funcionários e ex-executivos ligados à fraude. Recentemente, a Americanas solicitou formalmente o encerramento do processo de recuperação judicial, alegando cumprimento das obrigações do plano de credores no prazo legal.
A nova etapa da operação segue em curso, com a expectativa de esclarecer responsabilidades, estimar impactos e definir medidas de ressarcimento para acionistas, credores e mercado. As autoridades destacam que as investigações continuam e novas informações podem surgir conforme a coleta de provas avança.
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