- A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a segunda fase da Operação Disclosure, apurando fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões no grupo de controle da Americanas.
- Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto Sicupira são alvo de mandados de busca e apreensão; a PF não confirmou oficialmente os nomes.
- Ao todo, são nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, e o sequestro de bens até o limite de R$ 54 bilhões foi determinado pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
- Segundo a PF, há indícios de fraudes contábeis envolvendo operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada contabilizados sem lastro econômico, com possível manipulação de mercado e associação criminosa.
- A investigação acompanha o rombo revelado em 2023, que já passou de R$ 54 bilhões e levou a recuperação judicial da Americanas, com dívidas declaradas de R$ 42,5 bilhões.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram, nesta quinta-feira, 25 de junho, a segunda fase da Operação Disclosure. A investigação mira supostas fraudes contábeis estimadas em 54 bilhões de reais envolvendo a Americanas e seu grupo de controle. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Ao todo, são nove mandados de busca e apreensão. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o sequestro de bens e valores até o limite de 54 bilhões de reais. Executivos e acionistas de referência aparecem entre os investigados, conforme apuração unofficial.
Paulo Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto Sicupira estão entre os alvos dos mandados, segundo o UOL. A PF não confirmou oficialmente os nomes, mas aponta que o trio controlava a Americanas, com Sicupira atuando diretamente no dia a dia da companhia.
Os investigadores apontam indícios de fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, envolvendo operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada contabilizados sem lastro econômico. Há suspeitas de manipulação de mercado e de associação criminosa.
Contexto
A disparada de informações sobre o rombo veio à tona em janeiro de 2023, quando a nova diretoria revelou inconsistências nos balanços. O valor inicial de 20 bilhões foi revisado a 25,3 bilhões e, nas apurações, chegou a 54 bilhões. A divulgação levou à recuperação judicial e a dívidas declaradas de 42,5 bilhões.
Anteriormente, a primeira fase da Operação Disclosure ocorreu em junho de 2024, com dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão contra ex-diretores. Foram bloqueados ativos superiores a 500 milhões de reais; ex-CEO Miguel Gutierrez e ex-diretora Anna Christina Ramos Saicali estavam entre os alvos.
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