- Procura pelos títulos Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 ficou significativamente maior em junho, chegando a uma média de venda de R$ 181 milhões por dia, ante R$ 60 milhões na mediana do ano.
- No dia 11 de junho, foram vendidos R$ 275 milhões, quase o dobro do Tesouro Selic, que representa mais da metade da dívida pública.
- Os juros reais desses papéis superaram 8% e chegaram a aproximadamente 8,5% no período de maior demanda.
- Especialistas, como o gestor Ian Lima, sugerem comprar para o longo prazo, mas alertam para pegadinhas relacionadas ao custo de oportunidade e à evolução da inflação e da Selic.
- A recomendação varia conforme o cenário: em inflação mais alta, o IPCA+ protege o poder de compra; em inflação caindo, os títulos prefixados podem ter melhor desempenho no curto prazo.
O Tesouro IPCA+ registrou pico de procura nas duas últimas semanas de junho, sobretudo o papel com vencimento em 2032. O volume de vendas nesse título atingiu uma média de R$ 181 milhões por dia, contra R$ 60 milhões na mediana do ano. No dia 11 de junho, foram vendidos R$ 275 milhões, quase o dobro do Tesouro Selic.
Nesse período, os juros reais desses títulos passaram de 8% e chegaram a cerca de 8,5%. Especialistas destacam que há liquidez incomum em títulos para o investidor pessoa física, o que sustenta o interesse por horizontes longos. Ainda assim, alertam para pegadinhas no custo de oportunidade.
A recomendação para quem busca preservação de capital no longo prazo é considerar o Tesouro IPCA+. No entanto, o retorno nominal esperado depende da inflação e da trajetória da Selic até 2032, elementos incertos. Em cenários de inflação alta, o IPCA+ protege o poder de compra; com inflação em queda, pode ficar menos competitivo.
A escolha entre IPCA+ e outros títulos depende do cenário de juros. Se a inflação recuar, o Prefixado pode oferecer melhor rentabilidade, especialmente no início de ciclos de cortes da SELIC. Em curto prazo, há quem aponte vantagem para títulos prefixados, devido ao prêmio de curto prazo frente às curvas de inflação.
Mercado e perspectivas
A XP aposta em IPCA+ com vencimentos de até seis anos como alternativa para enfrentar inflação elevada. Com juros reais acima da média histórica, há quem observe ganhos de curto a médio prazo, embora o rendimento final dependa do vencimento e do comportamento da inflação.
Segundo a EQI Research, os IPCA+ combinam proteção da inflação com potencial de retorno real acima do CDI em janelas de médio prazo. Dados históricos indicam que títulos com juros reais acima de 7,5% superaram o CDI em grande parte dos anos entre 2006 e 2025.
Cenários e avisos
Especialistas destacam que o histórico de taxas elevadas não indica sustentabilidade permanente. Quem entra agora pode manter o rendimento até o vencimento, mas não deve contar com ganhos antecipados ao resgatar antes do prazo. O retorno esperado deve vir principalmente no vencimento, sempre livre de risco, como os títulos soberanos.
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