- Participantes do Energy Summit destacaram que a expansão do mercado livre de energia depende de estabilidade regulatória, sinais econômicos e uso de dados para empoderar o consumidor.
- O desafio inicial é entender diferentes perfis de clientes e oferecer serviços diferenciados, com digitalização plena de processos e modelos de negócio mais eficientes.
- A abertura sustentável requer clareza de papéis das distribuidoras e regras estáveis, para evitar insegurança entre consumidores e novos entrantes.
- A Cemig aponta expansão já em curso, com cerca de dez mil clientes e expectativa de mais nove mil com próximas migrações, enfatizando foco no cliente final.
- A entrada da baixa tensão deve ampliar significativamente o mercado, com estimativas de milhões de novas ligações, apoiadas por iniciativas como o Open Energy e pelo uso de dados para tomada de decisão.
A expansão do mercado livre de energia, impulsionada pela chegada da baixa tensão, foi tema central de um debate no Energy Summit, no Rio. Reguladores, empresas e tecnologia discutiram o papel do consumidor para a transição.
O vice-presidente da EDP, Tomás Baldaque da Silva, aponta que o principal desafio é entender a diversidade de perfis de clientes e estruturar serviços diferenciados. A competição também dependerá da digitalização plena dos processos.
Segundo Baldaque, a abertura sustentável depende de estabilidade institucional, com regras claras para distribuidoras e compromissos assumidos por novos entrantes junto à CCEE e Aneel, para evitar insegurança entre os consumidores.
Sinais econômicos e o empoderamento do consumidor
Sérgio Lopes, vice-presidente de comercialização da Cemig, afirma que a expansão já ocorre, com cerca de 10 mil clientes e expectativa de mais 9 mil com novas migrações. O foco é o cliente final.
Lopes ressalta a importância da personalização das soluções e da educação do consumidor sobre os benefícios do mercado livre, destacando que a principal barreira é o entendimento de sair do mercado cativo.
Ele defende o fortalecimento do Open Energy, com dados tratados como insumo essencial. Segundo Lopes, acesso a informações gera maior isonomia e melhor decisão pelos consumidores.
Eduardo Rossi, diretor de Segurança de Mercado na CCEE, destacou o ritmo acelerado das transformações. Hoje a base conta com cerca de 16 mil agentes, com crescimento expressivo no varejo, que acrescenta 2,5 mil cargas por mês.
O mercado livre soma 90 mil unidades consumidoras, metade varejo, com potencial para chegar a 200 mil na alta tensão. A grande expansão dependerá da baixa tensão, estimando até 6 milhões de consumidores inicialmente.
Para sustentar esse crescimento, a CCEE investe em tecnologia, comunicação e iniciativas como o Open Energy, visando maior segurança e eficiência no processo de migração.
Eduardo Miranda, CEO da Tyr Energia, traz a visão das energytechs como protagonistas da nova fase. Ele diz que as plataformas digitais fortalecem o empoderamento do consumidor e a compreensão do consumo.
Miranda afirma que o Brasil pode se tornar um laboratório global de inovação elétrica, citando exemplos de outros mercados e destacando o potencial de atrair investimentos e times com atuação internacional.
Segundo ele, a Tyr Energia projeta crescer 64% neste ano ao integrar o portfólio do Mercúrio Partners, reforçando o papel de novas empresas na transformação do setor.
Especialistas concordam que sinais econômicos e o protagonismo do consumidor serão determinantes para o sucesso da abertura. Reguladores, dados e educação devem caminhar juntos para um ambiente estável.
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