- Em ata de resultados da Tale, a firma que gere direitos de Tarsila do Amaral, aparece listada como presente uma herdeira morta, o que acende a controvérsia sobre a partilha de receitas.
- A aparição da falecida tornou a briga entre herdeiros mais acirrada, com um grupo mantendo controle e outros contestando a gestão dos atuais diretores, encabeçados por Paola Montenegro.
- A disputa envolve a destituição de comissões de especialistas que validavam obras e o catálogo raisonné da artista, usado como referência de autenticidade e valoração de obras.
- Além disso, há desentendimentos sobre licenciamento de obras, incluindo usos considerados questionáveis e uma exposição imersiva em SP, patrocinada pelo Nubank.
- Na ata, houve também um suposto erro de contagem de presentes na lista de herdeiros, que alguns atribuem a tentativa de inflar apoio à Tale; representantes da firma dizem que informações financeiras não são discutidas fora do inventário.
Uma ata de resultados da Tale, empresa que hoje controla os direitos autorais de Tarsila do Amaral, trouxe uma chama nova ao conflito entre herdeiros. Entre os presentes, consta a imagem de Nicolina Di Giacomo Amaral, falecida, o que acendeu a discussão sobre a lista de beneficiários. A nota não altera o aspecto jurídico da partilha de rendimentos aos descendentes.
O embate envolve a gestão atual, liderada por Paola Montenegro, e membros que contestam o comando, inclusive Thales Estanislau do Amaral, desembargador aposentado. A divergência gira em torno da atuação dos gestores e da condução dos licenciamentos da artista.
A briga se aprofunda com a destituição da comissão de especialistas que validava obras para o catálogo raisonné, base para autenticação de peças avaliadas em dezenas de milhões de dólares. Além disso, há desentendimentos sobre licenças concedidas para uso de imagens de Tarsila.
Contexto da controvérsia
Outra esfera de conflito envolve obras e desenhos cuja autenticidade é contestada por parte dos herdeiros, que questionam o papel do perito contratado pela Tale. A família também discute a condução de uma mostra imersiva, prevista para o Nubank Art Lab em São Paulo, com promessas de licenciamento.
O grupo opositor sustenta que os atuais gestores agem para ampliar a base de apoiadores da Tale e, assim, ampliar o controle sobre a renda de direitos autorais. Em resposta, a firma afirma que as informações de ata e resultados ficam restritas ao inventário da artista e que todos os herdeiros podem acessá-las.
Entre as ações legais previstas, a ala contrária planeja mover uma ação para retomar o controle da gestão dos direitos. Também avalia um pedido de indenização por danos morais contra três diretores, envolvendo acusações sobre desvio de valores, que a parte contestante nega.
Posicionamento das partes
Representantes da Tale afirmam que não comentam detalhes da ata nem dos resultados fora do âmbito do inventário. Também enfatizam que todos os herdeiros têm direito a acesso às informações, caso desejem esclarecimentos. A disputa permanece em investigação judicial e em articulações administrativas entre as partes.
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