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Operação na Americanas foi planejada há mais de seis meses

PF inicia a segunda fase da Disclosure com dez mandados contra oito alvos no Rio e em São Paulo, incluindo Sicupira e executivos de bancos

Americanas — Foto: Domingos Peixoto/Agência Globo
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  • A Polícia Federal realizou a segunda fase da Operação Disclosure, com dez mandados de busca e apreensão contra oito alvos no Rio de Janeiro e em São Paulo, incluindo o investidor Carlos Alberto Sicupira.
  • As investigações apuram participação de acionistas e bancos na fraude bilionária identificada na Americanas, abrangendo relatos de repasses de informações a superiores e possíveis ocultações de riscos em cartas de circularização.
  • Entre os alvos estão ex-diretivos e responsáveis de bancos credores, como Itaú, Bradesco e Santander; há mensagens que indicam pressão para excluir ou justificar riscos sacados nessas cartas.
  • A PF também aponta que o processo envolve valores estimados de fraudes contábeis expressivos, com sequestro de bens até o limite de R$ 54 bilhões; a recuperação judicial da empresa segue em andamento.
  • A Americanas afirmou não ter sido alvo dos mandados e disse colaborar com as investigações, enquanto bancos e acionistas de referência reiteraram compromisso com a apuração dos fatos.

A Polícia Federal cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em oito alvos na quinta-feira, 25, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. A ação atingiu membros da antiga gestão da Americanas, incluindo Carlos Alberto Sicupira, um acionista de referência, ex-conselheiros e executivos de bancos credores.

A operação faz parte da continuidade da investigação da fase Disclosure, que apura fraudes na varejista. Os inquéritos são parte de uma evolução das apurações iniciadas em 2023, com foco em possíveis envolvimentos de acionistas, conselhos e bancos.

Segundo apuração, a PF busca esclarecer declarações colhidas em depoimentos e colaborações premiadas de ex-diretores, que relataram repasse de informações aos superiores. Também há apuração sobre mensagens e e-mails envolvendo bancos e operações ocultas de risco sacado.

Entre os investigados constam Paulo Lemann, Eduardo Saggioro, José Rudge, Gustavo Balassiano, Carlos Pedras, André Juaçaba de Almeida e André Abdo, ligados a bancos como Itaú, Bradesco e Santander. A PF aponta conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo dos anos.

A PF investiga ainda se houve participação de acionistas no conselho de administração. Em determinado trecho, aparecem comunicações que sugerem pedidos para ocultar o risco sacado nas cartas de circularização enviadas aos auditores.

Ao longo das apurações, a Americanas informa que não foi alvo direto dos mandados. A varejista afirmou que continuará colaborando com as autoridades e destacou seu interesse em esclarecer os fatos para a retomada de resultados.

Paralelamente, a análise sobre a recuperação judicial da empresa segue em andamento. O juiz responsável avalia o pedido de encerramento da recuperação, apresentado pela Americanas, com parecer favorável do administrador judicial e do Ministério Público.

O balanço mais recente indica melhora parcial: vendas líquidas crescem, prejuízo reduzido e a empresa mantém planos de quitação de dívidas em até 60 parcelas mensais. A situação patrimonial mostra queda da dívida líquida diante de caixa disponível.

As autoridades destacam que o objetivo é esclarecer todas as fases do suposto esquema, inclusive questões envolvendo o repasse de informações entre executivos e representantes de credores. A PF não informou novas prisões nem novos indícios no momento.

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