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Acordo pós-Brexit atinge fortemente agricultores britânicos

Brexit reduz renda de fazendeiros britânicos com queda de preço da carne e influxo de importações, empurrando a comida britânica para nicho

The rare breed of Gloucester cattle in the Cotswolds, England, could become even more rare due to the strain on British farms.
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  • Brexit trouxe queda na renda dos produtores britânicos, com about £400 a menos por animal e preços de carne estáveis nas prateleiras, favorecendo importações australianas.
  • As exportações britânicas para a União Europeia recuaram significativamente — volume caiu 47% e valor, 35% — impactando principalmente carne de aves, boi, cordeiro e laticínios.
  • O setor também enfrenta os efeitos dos ajustes de subsídios: fim gradual do regime da Política Agrícola Comum (CAP) e adoção dos esquemas de gestão ambiental (ELMS), com metade dos agricultores ainda recebendo pagamentos.
  • Barreiras comerciais, divergências regulatórias e custos logísticos elevaram dificuldades para produtores menores, criando impactos em setores como sementes, mariscos e sêmen de gado.
  • O debate sobre recuperação ou retorno à UE persiste, com o governo defendendo seus investimentos agrícolas e a indústria alertando para impactos na segurança alimentar e no preço ao consumidor.

O Brexit continua impactando a agricultura britânica, com quedas expressivas na renda dos produtores, mesmo que os preços nas lojas permaneçam estáveis. Um exemplo é o preço de gado, que caiu cerca de £400 por animal para o criador de Wiltshire, em meio a custos de ração, energia e fertilizantes em alta. A competição de carne mais barata da Austrália agrava o cenário.

Para os produtores, a diferença entre o que entra no cinturão de supermercados e o que rende na porteira é cada vez maior. Embora o preço de varejo da carne não tenha recuado, a renda de fazendeiros despenca, criando dúvidas sobre a viabilidade de manter a produção tradicional no país.

O tom é de alerta entre associações e pecuaristas: se a tendência atual persistir, alimentos britânicos podem se tornar itens de nicho, voltados a consumidores mais ricos, mantendo-se fora do gôndola comum de supermercados.

Impactos econômicos e comerciais

Dados de estudos recentes mostram queda acentuada nas exportações para a UE, maior mercado tradicional, com reduções de até 47% no volume e 35% no valor. Setores como avicultura, carne bovina, cordeiro e laticínios também registraram recuos.

A fricção comercial com a UE aumentou custos logísticos, prejudicando produtores menores que não suportam tarifas e fretes elevados. Fonte especializada aponta que exportações de batatas-semente e mariscos enfrentaram suspensões ou bloqueios.

Reformas de subsídio e regras ambientais

O fim gradual dos pagamentos de base ligados à Área de Declínio, conhecido como CAP, abriu espaço para o novo arcabouço de incentivos ambientais. O sistema ELMS passou a ditar regras de manejo, com metas de qualidade ambiental, mas a implementação tem sido irregular.

O orçamento agrícola total para a Inglaterra fica em torno de £2,3 bilhões por ano, sem ajuste pela inflação. Cerca de metade dos fazendeiros recebe pagamentos, enquanto o restante não participa plenamente dos programas disponíveis.

Perspectivas e atuação institucional

O governo admite desafios, destacando que grande parte da alimentação é produzida no país e que reformas visam reduzir burocracia e estimular negócios agrícolas. A bancada governamental enfatiza acordos comerciais e investimentos em agricultura.

Entidades do setor veem incertezas sobre quem se beneficiará com a realinhamento com a UE. Pequenos produtores relatam dificuldades adicionais com logística e custos de transporte, o que possa limitar a recuperação setorial.

Ambiente e sustentabilidade

Relatórios de organizações ambientais indicam divergências entre promessas de Brexit verde e a prática atual. Observa-se retrocesso em proteções ambientais na UE e no Reino Unido, com debates acalorados sobre impactos na biodiversidade e na qualidade do solo.

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