- Simulação mostra que fatura não paga pode fazer a dívida do cartão dobrar em até oito meses, com base em taxas médias divulgadas pelo Banco Central em abril.
- Se houver atraso, saldo entra no crédito rotativo, com juros médios de about 432,1% ao ano (cerca de 14% ao mês); multa de até 2% e juros de mora de até 1% ao mês também podem incidir.
- Para evitar o acúmulo, o BC determina que o rotativo dure no máximo 30 dias; depois, o saldo deve ser parcelado em condições mais vantajosas, definidas pela instituição.
- Desde janeiro de dois mil e vinte e quatro, a cobrança de juros é limitada pela regra que impede encargos acima de 100% do valor original da dívida.
- Dados do BC mostram que, no primeiro trimestre, o crédito no rotativo somou R$ 109,7 bilhões (alta de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior), apesar de parte relevante do saldo não possuir juros.
O atraso no pagamento da fatura do cartão de crédito pode levar a uma dobra do saldo devedor em até oito meses, segundo simulação com taxas médias do Banco Central, feita com apoio de especialistas. O estudo parte de cenários sem renegociação.
Dados do BC indicam que, em abril, 74,3% do saldo movimentado não envolve juros, enquanto o crédito rotativo representa 2,7% das dívidas das famílias. Mesmo assim, no primeiro trimestre, o rotativo alcançou 109,7 bilhões de reais, alta de 9,7% ante o mesmo período de 2025.
A taxa média do rotativo chegou a 432,1% ao ano em abril de 2026, situando-se em cerca de 14% ao mês. Multa de até 2% e juros de mora de até 1% ao mês podem incidir sobre esse saldo, conforme o contrato com a instituição financeira.
Para evitar o efeito bola de neve, o Banco Central determina que a dívida não pode permanecer no rotativo além de 30 dias. Se não pago, o saldo deve ser parcelado em condições mais vantajosas, com condições definidas pela instituição.
Desde janeiro de 2024, regra aprovada pelo Congresso e regulamentada pelo CMN limita os juros e encargos a 100% do valor original, de modo que uma fatura de 1000 reais não gere mais do que 2000 reais de encargos totais.
Especialistas ressaltam que o endividamento pode aumentar sem explosões, mas o tomador ainda enfrenta crescimento rápido da dívida. Renegociações com as instituições financeiras costumam oferecer descontos para reduzir o saldo devedor.
A Abecs afirma que a simulação com ausência de pagamento não representa o comportamento típico. Pesquisa do Datafolha, encomendada pela associação, aponta que 85% dos entrevistados quitam integralmente a última fatura.
Para evitar desequilíbrios, a Abecs destaca que a maioria dos consumidores utiliza o cartão de forma saudável, pagando as faturas em dia, conforme pesquisas recentes. O debate envolve também estratégias de renegociação quando o saldo cresce.
Especialistas aconselham tratar o cartão como antecipação de renda, não como renda extra. O uso responsável envolve manter a renda comprometida em 30% a 40% da receita, com vencimento alinhado ao recebimento salarial.
Quem já está endividado deve buscar renegociação com a instituição, visando juros menores, e reduzir o consumo. O foco é entender o orçamento e eliminar gastos não essenciais para reequilibrar as finanças.
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