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Ações de Ambev a Femsa favorecidas pela Copa, segundo analistas

Copa de 2026 pode elevar vendas de engarrafadoras, cervejarias e varejo latino-americanos, conforme exposição geográfica e mercados-chave

Para analistas, o torneio representa uma oportunidade pouco comum para várias empresas da América Latina. (Foto: Joe Lamberti/Bloomberg)
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  • A Copa do Mundo de 2026 é realizada no México, nos Estados Unidos e no Canadá, com quarenta e oito seleções, cento e quatro partidas e dezasseis cidades-sede, ampliando oportunidades de consumo para engarrafadoras, cervejarias, restaurantes e varejistas da América Latina.
  • Analistas dizem que o lucro dependerá da exposição geográfica, de mercados que representam receita e do comportamento do consumidor durante semanas de jogos; algumas empresas aparecem com mais frequência entre as favoritas.
  • A Arca Continental se destaca pela presença nas cidades-sede e patrocínio com a Coca‑Cola, com vantagem sobre a Coca‑Cola FEMSA por cobrir mais mercados na região.
  • A Ambev é apontada como um dos maiores gatilhos de demanda, especialmente no Brasil, onde 58% dos consumidores esperam aumentar o consumo de álcool e 73% pretendem beber cerveja durante os jogos; a empresa tem cerca de 78% da receita em mercados participantes da Copa.
  • Mesmo com patrocínio oficial, o impacto não é garantido: bancos destacam que clima, juros e apostas esportivas podem limitar ganhos, e os resultados devem ficar mais claros nos segundos e terceiros trimestres de 2026.

A Copa do Mundo de 2026 amplia as oportunidades para empresas de bens de consumo na América Latina, como engarrafadoras, cervejarias, restaurantes e varejistas. Analistas veem potencial de aumento de vendas e de resultados, ainda que com riscos e variações entre mercados.

O torneio, realizado em México, EUA e Canadá, envolve 48 seleções, 104 partidas e 16 cidades-sede. A duração estendida cria mais momentos de consumo, não apenas nos estádios, mas em toda a rede de lojas, restaurantes e distribuição.

Para entender quem pode lucrar, analistas avaliam a exposição geográfica de cada empresa e a relevância de mercados participantes. O movimento nos países anfitriões, a demanda das seleções classificadas e a visibilidade dos patrocinadores aparecem como fatores centrais.

Empresas com maior exposição geográfica

A Chedraui, La Comer e Tiendas 3B concentram 100% de suas vendas nos mercados de origem. Já Walmex, Jose Cuervo, Arca Continental, Gruma e Bimbo exibem exposição elevada nos países anfitriões e além.

A Ambev lidera quando somam-se receitas em mercados fora dos anfitriões. Arca Continental destaca-se pela presença em cidades-sede e parcerias com a Coca-Cola, parceira oficial do torneio. Coca-Cola FEMSA tem presença concentrada na Cidade do México, mas com alcance relevante no restante da região.

Entre os analistas, a Arca Continental é apontada como beneficiária pela combinação de cobertura de cidades-sede e rede de patrocínios. A Coca-Cola FEMSA aparece como concorrente forte, com vantagem em mercados-chave da região.

O JPMorgan aponta que o segundo e o terceiro trimestres de 2026 devem trazer impulso relevante para engarrafadoras mexicanas, com projeções de crescimento de volumes modestos e visibilidade de lucros. O Citi confirma interesse do consumidor mexicano por refrigerantes, beneficiando Coca-Cola FEMSA e Arca Continental.

Ambev e o timing do futebol

O Brasil aparece como motor do mercado de cerveja. Pesquisa do Citi indica forte intenção de consumo durante o torneio, elevando o potencial para Ambev. A empresa pode obter ganhos, especialmente com o efeito do futebol, feriados e comparações favoráveis.

Ainda que o cenário seja promissor, há cautela entre investidores. Executivos destacam riscos macroeconômicos, endividamento familiar e competição com apostas esportivas, que podem limitar o impulso de 2026.

A visão dos analistas é de que o patrocínio oficial ajuda, mas não determina resultados. Engarrafadoras da Coca-Cola, Ambev e Arcos Dorados são consideradas com maior probabilidade de converter o torneio em campanhas de marketing e promoções.

Outras empresas, como CCU e Coca-Cola Andina, aparecem com menor potencial por dependerem de mercados menos representativos da Copa, como o Chile. A análise ressalta que o impacto depende da soma de exposição geográfica, presença nos países participantes e capacidade de converter consumo em receita adicional.

O olhar do mercado agora se volta aos resultados do segundo e terceiro trimestres de 2026, quando os efeitos do torneio devem começar a se refletir nos volumes, no consumo e na lucratividade das empresas analisadas. O período será visto como teste para confirmar ou não as projeções de crescimento.

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