- Brasil e Japão mantêm negociações para abrir o mercado japonês à carne bovina brasileira, com auditoria sanitária japonesa realizada em março e avaliação de risco em andamento.
- Em 2025, o Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome, com EUA e Austrália como fornecedores tradicionais; a abertura brasileira seria marco de qualidade sanitária.
- O frango segue como principal proteína exportada ao Japão: 2025 respondeu por 18,8% das exportações brasileiras para o país, com mais de US$ 1,03 bilhão; janeiro a maio de 2026 passou a representar 20,5% das vendas, ~US$ 492 milhões.
- A carne suína vem aumentando participação: 4,7% das exportações para o Japão em 2025 (~US$ 258,5 milhões) e 7,5% nos cinco primeiros meses de 2026 (~US$ 180 milhões).
- O café brasileiro tem demanda expressiva: Japão importou 2,647 milhões de sacas em 2025, 19,4% a mais que 2024; houve estreia de coffee special descafeinado não torrado em 2026.
Brasil e Japão ampliam acordo estratégico além da Copa do Mundo, com elevação do comércio agropecuário e debates sobre abrir o mercado japonês para carne bovina brasileira. O tema ganha relevância em meio à disputa entre as seleções, em Houston, nos EUA.
A negociação para exportar carne bovina ao Japão permanece em curso há cerca de cinco anos. Hoje, o Japão importa aproximadamente 70% da carne que consome, gerando quase US$ 4 bilhões anuais, com Estados Unidos e Austrália como fornecedores principais.
O Brasil, maior exportador global de carne bovina, envolve governo, Famato e indústria na pauta. A abertura japonesa seria vista como chancela de qualidade, principalmente para o Mato Grosso, que detém o maior rebanho do país e grande participação nas exportações.
O avanço está atrelado ao reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, condição sanitária considerada essencial para mercados mais restritivos. Auditoria sanitária japonesa ocorrida em março fortalece o processo de análise de risco.
Enquanto a carne bovina segue em negociação, outros elos da relação comercial se destacam. A carne de frango continua a principal proteína exportada ao Japão, com crescimento de participação entre 2025 e 2026, quando chegou a 20,5% do valor total exportado.
A carne suína também ganha espaço, passando de 4,7% das exportações em 2025 para 7,5% entre janeiro e maio de 2026, com receita de aproximadamente US$ 180 milhões no período.
O café brasileiro mantém posição de peso no Japão, que passou a importar 2,647 milhões de sacas em 2025, 19,4% mais que 2024, elevando o Japão à quarta posição entre os maiores compradores. A Expocacer realizou a primeira exportação de café especial não torrado descafeinado para o mercado japonês.
Em 2025, o comércio bilateral totalizou US$ 11,5 bilhões, com US$ 5,5 bilhões em exportações brasileiras e US$ 6,1 bilhões em importações, resultando em déficit de US$ 562,6 milhões para o Brasil. Nos primeiros cinco meses de 2026, houve alta de 11,9% nas exportações e queda de 8,6% nas importações, levando a um saldo de US$ 7,2 milhões no período.
O Mato Grosso manteve relevância nas exportações agroindustriais para o Japão, com destaque para farelo de soja e soja em grão, somando, em 2025, mais de 535 mil toneladas embarcadas e receita de cerca de US$ 194 milhões.
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