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Conjunto de fatores freia o otimismo do mercado com o Brasil

Mercado recua do otimismo com o Brasil após choque externo: guerra no Oriente Médio eleva juros, fluxo estrangeiro diminui e dólar avança

Mercado brasileiro foi do otimismo à cautela no semestre, com piora no exterior "tirando de debaixo do tapete" preocupações domésticas que vinham mascarados por euforia global. (Foto: Werther Santana/Estadão)
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  • O primeiro semestre de 2026 terminou de forma bem diferente do início, com impactos da guerra no Oriente Médio e com juros mais altos no Brasil e nos Estados Unidos.
  • O Ibovespa recuou de quase 200 mil pontos para cerca de 170 mil, e o dólar passou de ~R$ 4,90 para em torno de R$ 5,20.
  • O saldo de capital estrangeiro na B3 caiu de mais de R$ 57 bilhões para R$ 40,1 bilhões, com saídas nos meses recentes.
  • As expectativas para a Selic passaram de possibilidade de queda para projeção em torno de 14,00% ao fim do ciclo, com riscos de fim do ciclo de afrouxamento nos atuais 14,25%.
  • O gatilho externo foi a guerra entre Estados Unidos e Irã, que elevou o preço do petróleo e levou à reprecificação de juros, ampliando a aversão a ativos brasileiros e aumentando a atuação no exterior por parte de gestoras e bancos.

O primeiro semestre de 2026 encerra com o mercado brasileiro bem diferente do início do ano. A guerra no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e tensionou a inflação global, enquanto juros mais altos ainda devem permanecer relevantes no Brasil e nos EUA. A euforia inicial deu lugar à cautela.

O Ibovespa caiu de quase 200 mil pontos, atingidos em abril após sequência de recordes, para cerca de 170 mil pontos. O dólar, que chegou a quase R$ 4,90, opera hoje em torno de R$ 5,20. O saldo de capital estrangeiro na B3 recuou de mais de R$ 57 bilhões para cerca de R$ 40,1 bilhões.

A inflação projetada e o recuo das apostas de cortes de juros no Brasil aumentaram o ceticismo. A Selic poderia manter-se em 14% ou subir para 14,25%, conforme pesam os impactos fiscais e as expectativas de inflação de longo prazo. O cenário interno ganhou volatilidade, com fricções em Brasília e pesquisas eleitorais em alta.

O gatilho externo veio da guerra entre EUA e Irã. O choque de petróleo impactou o custo de vida e a previsibilidade das autoridades monetárias globais. Essa mudança deslocou o eixo de investimentos internacionais para o mercado externo, elevando o custo de oportunidade de ativos brasileiros.

Dado o novo ambiente, gestoras ajustaram estratégias. Bancos internacionais passaram a enxergar o Brasil com menor atratividade relativa, reduzindo recomendações para neutras ou com perfil mais conservador. O tom mais prudente também afetou a alocação de recursos no país.

Algumas gestoras migraram parte do patrimônio para ativos no exterior. A Verde Asset encerrou posições em reais, citando o fortalecimento do dólar e a busca por ganhos ligados a IA e aos EUA. A Legacy Capital manteve grande peso externo, com foco em moedas associadas à IA.

O Itaú Unibanco ampliou a exposição a ações norte-americanas, sinalizando mudança de foco para o ritmo e o impacto da tecnologia no curto prazo. O tema da IA voltou a levar a discussões, ganhando espaço sobre a visão de crescimento e de juros no cenário global.

Na prática, a mudança de comportamento envolve menos consenso sobre o Brasil e maior cautela quanto ao recebimento de fluxos externos. O mercado observa com atenção as sinalizações de política econômica, inflação e o ritmo da inovação tecnológica global.

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