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Gargalos afetam projetos de geração solar e eólica no Nordeste

Cortes de geração por excesso de oferta ameaçam novos investimentos em energia solar eólica no Nordeste; baterias podem reduzir riscos e ampliar previsibilidade

Parque de energia eólica no Ceará; ventos no Nordeste produzem 50% mais eletricidade que a média global e região concentra 90% da geração instalada no Brasil
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  • O Nordeste concentra cerca de 32 GW de capacidade instalada em mais de mil usinas eólicas e abriga metade dos projetos fotovoltaicos centralizados, fortalecendo a posição regional na transição energética.
  • O excesso de oferta gera curtailment, com desligamento de usinas solares e eólicas pelo Operador Nacional do Sistema, causando perdas acima de 20% da energia gerada e impactando receita e custo de capital.
  • A Echoenergia aponta que o curtailment reduz a previsibilidade de geração e influencia decisões de novos investimentos, levando a priorizar otimização de portfólio e modelos com maior previsibilidade contratual.
  • O governo pretende realizar, no início de dezembro, o primeiro leilão de baterias para armazenar energia, buscando mitigar o impacto das variações das fontes renováveis na rede.
  • Investimentos em distribuição, hidrogênio verde, data centers e gás natural seguem como vectores para o Nordeste, com renovações de concessões das distribuidoras e maior foco em digitalização e infraestrutura de transmissão.

O Nordeste acelera a transição energética, mas enfrenta gargalos que podem frear novos investimentos na região. O excesso de oferta de eletricidade leva a cortes de geração em usinas renováveis, prática conhecida como curtailment, gerando insegurança financeira para projetos em operação.

A região concentra cerca de 90% da energia eólica instalada no Brasil, com 32 GW em mais de mil parques. Também abriga parte relevante da geração fotovoltaica, sobretudo em projetos centralizados, além de 20% da solar distribuída em telhados. Os ventos constantes e alta irradiação tornam o Nordeste um polo estratégico para o setor.

O problema do curtailment reduz a previsibilidade de receitas e eleva o custo de capital, impactando decisões de expansão. Empresas do setor indicam que os cortes podem chegar a mais de 20% da energia gerada, o que motiva ajustes em carteiras de ativos e estratégias de negócio.

A Echoenergia aponta que o curtailment tornou-se um dos principais desafios do setor elétrico, prejudicando a previsibilidade da geração e a viabilidade econômica de novos empreendimentos. A companhia opera cerca de 2 GW de ativos renováveis no Norte e Nordeste, com 68 ativos na região, 42 deles eólicos.

Como resposta, a Echoenergia tem priorizado a otimização de portfólio e a criação de produtos com maior previsibilidade contratual, incluindo autoprodução, em detrimento de projetos convencionais de geração. O objetivo é reduzir a exposição a cortes e ampliar a confiabilidade de receitas.

Uma via de solução em estudo envolve baterias para armazenar energia. O governo federal planeja realizar no início de dezembro o primeiro leilão para contratar essa tecnologia na matriz brasileira, segundo o setor. Especialistas ressaltam o papel essencial do armazenamento diante de fontes variáveis.

A matriz renovável do Nordeste também pode atrair investimentos em data centers e em hidrogênio verde, diante de mudanças estratégicas no abastecimento global. A redução de tensão no Oriente Médio tende a estimular diversificação de fontes e fornecedores, fortalecendo o potencial de hidrogênio verde na região.

Outra frente de investimento é o setor de distribuição de energia. Contratos de concessão renovados por 30 anos devem facilitar a digitalização e a oferta de novos serviços. A expansão da geração distribuída já promovia redes bidirecionais, exigindo maior automação para estabilizar tensões.

Na prática, a energia distribuída demanda investimentos em redes de distribuição para suportar o fluxo bidirecional. Reguladores discutem regras para a renovação e a adaptação regulatória, com foco em sustentabilidade e segurança do sistema.

Entre as empresas, a Energisa planeja investir R$ 4,5 bilhões em Sergipe e na região até 2030, com foco em modernização e digitalização. Em paralelo, a Neoenergia renovou concessões de quatro distribuidoras nordestinas, com aportes previstos de cerca de R$ 40 bilhões no Nordeste, para expansão e infraestrutura.

O gás natural figura como componente adicional de infraestrutura elétrica e industrial, contribuindo para usinas termelétricas e indústrias locais. A oferta de gás no Nordeste deve crescer, impulsionada pela ampliação da produção na bacia de Sergipe e pela maior importação de GNL.

A Eneva atua no Ceará e em Sergipe, com o Porto de Sergipe II contratado para entregar 1.244,8 MW por 15 anos. O abastecimento será feito com GNL do terminal existente, capaz de regaseificar até 21 milhões de m3 por dia, mantendo flexibilidade frente ao mercado internacional.

A depender de condições globais, tensões no Oriente Médio podem afetar o suprimento de gás, mas a empresa aponta possibilidades de buscar fornecedores alternativos. A atuação integrada entre geração, armazenamento, distribuição e gás natural sinaliza a robustez do Nordeste como palco de investimentos em energia.

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