- O segundo semestre de 2026 deve seguir mais cauteloso, com cenário macro incerto por guerra, juros elevados por mais tempo e eleições no Brasil.
- A Kapitalo ajustou o cenário, destacando que a economia dos EUA permanece mais forte e pode manter pressões sobre a inflação, elevando a incerteza global.
- A Gávea Investimentos aponta risco para o Brasil caso haja enfraquecimento do fluxo de capitais estrangeiros e valorização do dólar, diante de menos espaço para cortes de juros nos EUA.
- As grandes gestoras estão reestruturando as carteiras para equilibrar boa performance no exterior com o pessimismo nos ativos locais, buscando descontos e gatilhos de valorização mais confiáveis.
- No radar de IA, Kapitalo privilegia empresas de serviços ligados à IA, enquanto o J. P. Morgan foca em infraestrutura de IA; o setor de hardware e eletricidade também é destacado pelos gestores.
No segundo semestre de 2026, grandes gestoras reposicionaram suas carteiras diante de um cenário global mais incerto. Juros elevados, efeitos inflacionários da guerra e eleições no Brasil elevam a cautela no mercado brasileiro, com foco em alocações mais equilibradas entre ativos externos e locais.
Gestoras de peso, como Kapitalo, Gávea Investimentos, Constellation e J.P. Morgan Asset Management, passaram a ajustar estratégias para enfrentar a menor visibilidade macro. O objetivo é explorar a robustez de resultados no exterior, onde ações estão caras, sem deixar de lado o pessimismo presente no mercado interno, onde os gatilhos de recuperação aparecem com mais dificuldade.
A piora do cenário macro global é acompanhada por tensões geopolíticas, especialmente o acordo entre Estados Unidos e Irã que impacta o petróleo. Para Bruno Cordeiro, sócio da Kapitalo, o choque no curto prazo permanece temporário, dificultando a orientação sobre inflação no segundo semestre. A mudança na condução da política monetária nos EUA amplia a incerteza sobre próximos passos do Fed.
Perspectivas para o câmbio e economia brasileira
Para Carlos Woelz, sócio da Kapitalo, a desaceleração do mercado de trabalho americano ainda não ocorreu, o que fortalece a economia dos EUA e impacta o cenário global. Bernardo Carvalho, executivo da Gávea Investimentos, aponta risco adicional para o Brasil caso haja fortalecimento do dólar e fluxo estrangeiro mais contido. Com menos espaço para cortes de juros nos EUA, a valorização do real pode frear fluxos de capital para o Brasil.
Alocações e estratégias para o 2º semestre
Agora, as grandes gestoras ajustam posições para lidar com menor clarity no ambiente. A aposta é equilibrar impulsos vindos do exterior, com resultados robustos e ações caras, diante de um cenário doméstico mais fraco, porém com ativos já descontados o suficiente para justificar uma espera mais paciente.
O E-Investidor consultou gestores de Constellation, Kapitalo, Gávea Investimentos e J.P Morgan Asset para entender as apostas no 2º semestre de 2026. As entrevistas devem detalhar cada estratégia ao longo da semana, com diferentes enfoques de alocação.
O viés em ações ligadas à IA
O ritmo da IA passou a ocupar o radar das gestoras. Enquanto a Kapitalo prioriza empresas que prestam serviços a companhias com IA, o J.P. Morgan foca em infraestrutura associada à tecnologia. Marina Valentini, estrategista-chefe da instituição, destaca a valorização de hardware e de eletricidade, impulsionadas pela demanda por chips e memória, com necessidade de ampliação de capacidade de computação.
Entre na conversa da comunidade