- O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central no Distrito Federal pagou R$ 300 mil à atriz Luana Piovani para divulgar, nas redes sociais, um vídeo contra a PEC que fortalece o Banco Central.
- A divulgação ocorreu via Instagram da atriz, com a publicação identificada como #publi e apoiada pelos perfis do sindicato, após a ata da reunião que autorizou o pagamento ter sido tornada pública pela Folha de S. Paulo.
- Além do pagamento a Piovani, o Sinal-DF já havia autorizado, em fevereiro e maio, R$ 250 mil para uma nota técnica e para ampliar a campanha nas redes, respectivamente, totalizando R$ 800 mil em investimentos ligados à ação.
- A PEC em questão transforma o Banco Central em entidade pública de natureza especial, conferindo autonomia técnica, administrativa, financeira e orçamentária, o que a oposição e parte do funcionalismo questionam quanto a impactos para a natureza pública da instituição.
- Economista contestou as afirmações de Piovani, dizendo que a autonomia do Banco Central existe para permitir ações impopulares de controle da inflação sem subordinação ao governo, e que temas como gratuidade do Pix e reservas internacionais não são diretamente ligados à PEC; Piovani não se pronunciou até a publicação.
O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central no Distrito Federal (Sinal-DF) contratou a atriz Luana Piovani para veicular um vídeo nas redes sociais com críticas à PEC que amplia a autonomia do Banco Central. O pagamento foi de R$ 300 mil.
A publicação circulou após a divulgação da ata da reunião que autorizou a contratação. Neutralidade e transparência foram levantadas pela imprensa, já que a ação envolve recursos de uma entidade sindical em meio à tramitação da PEC.
O vídeo, publicado no Instagram da atriz, gerou milhares de interações em uma rede com milhões de seguidores. A peça argumenta riscos à independência do Banco Central caso a PEC avance no Senado.
A ata mostra que a contratação de Piovani ocorreu no dia da publicação do vídeo. A presidente do Sinal-DF, Edna Velho, defendeu maior atuação nas redes para acompanhar a tramitação da PEC.
Segundo o documento, a ação integra uma estratégia de comunicação que já previa outros investimentos. Em fevereiro houve autorização de R$ 250 mil para uma nota técnica sobre a PEC, e em maio, mais R$ 250 mil para ampliar ações nas redes.
Ao todo, os investimentos somam R$ 800 mil, incluindo o contrato com Piovani. A motivação, segundo o sindicato, é defender a categoria diante do avanço da proposta.
A PEC 65/2023, aprovada pela CCJ do Senado em 10 de junho, transforma o BC em entidade pública de natureza especial, com autonomia técnica, administrativa, financeira e orçamentária. O texto aguarda votação no plenário.
Defensores da PEC afirmam que a autonomia reduz interferência política e fortalece a fiscalização do sistema financeiro. Críticos veem risco de maior influência do mercado sobre o Banco Central. O debate divide servidores e entidades representativas.
Luana Piovani não respondeu a pedidos de comentário encaminhados pela imprensa. O Sinal-DF informou que a campanha segue respaldo do mandato da maioria dos servidores e que a iniciativa visa expor riscos identificados na proposta.
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