- BlackRock reduziu a recomendação para ações de mercados emergentes de overweight para neutra, mantendo a preferência pela América Latina.
- O estrategista-chefe para a região, Axel Christensen, destaca o Brasil como estratégico por seu papel em inteligência artificial, transição energética e reorganização geopolítica mundial.
- O país é visto como fonte relevante de minerais críticos e de produtos essenciais, como alimentos e energia, e precisa de investimentos significativos em infraestrutura para aproveitar oportunidades.
- A decisão não representa visão negativa sobre emergentes; parte dos lucros do primeiro semestre foi realizada, com o desempenho firme principalmente nos mercados asiáticos.
- Sobre as eleições no Brasil, Christensen afirma que investidores já lidam com incertezas políticas; as grandes oportunidades dependem de políticas de crescimento e de financiamento, com expectativa de queda gradual da taxa Selic conforme o BC controla a inflação.
A BlackRock revisou sua recomendação para ações de mercados emergentes, deixando de ser overweight para ficar neutra. A gestora manteve a preferência pela América Latina, destacando o Brasil como jogador estratégico. A leitura acompanha o relatório 2026 Midyear Global Outlook, divulgado nesta semana.
O estrategista-chefe para a região, Axel Christensen, explicou que o Brasil tem papel-chave em megaforças como inteligência artificial, transição energética e reorganização geopolítica global. Segundo ele, esses fatores ajudam economias de porte médio a ampliar vantagens competitivas.
Christensen ressaltou que o país é fonte relevante de minerais críticos necessários para IA e energia, além de contribuir para uma nova configuração geopolítica. Também apontou a importância de investimentos em infraestrutura para tornar essas oportunidades concretas.
Eleições
O executivo comentou ainda as perspectivas para as eleições brasileiras neste ano. A BlackRock acompanha de perto o ambiente de incertezas políticas, afirmando que eleições fazem parte do cenário para mercados emergentes. Investidores avaliam impactos de políticas públicas no crescimento.
Segundo Christensen, os desafios e as oportunidades dependem de decisões de política econômica em várias frentes, incluindo o crescimento. Ele destacou que o Brasil tem oportunidades, mas que o crescimento brasileiro não é visto como robusto pelas projeções de FMI e Focus.
Outro ponto destacado é a necessidade de financiamento para realizar as oportunidades. A infraestrutura foi apontada como componente central, demandando juros estáveis para viabilizar investimentos e reduzir custos de dívida pública. O estrategista disse esperar queda da Selic conforme o BC controla a inflação.
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