- Pesquisa com 31 grandes corporações mostra que o nervosismo com as eleições de 2026 é maior que em ciclos anteriores, com média de 3,87 em uma escala de 1 a 5.
- O motivo não é ideologia, mas a exposição brasileira a choques globais e o impacto na cadeia global de valor desde a crise ucraniana.
- O Custo Brasil — burocracia, tributos, regras trabalhistas e insegurança jurídica — eleva custos de operação e footprint de inadimplência, com 9 milhões de CNPJs negativados e R$ 220,9 bilhões em dívidas em atraso.
- A reforma tributária, embora positiva a longo prazo, gera incerteza no curto prazo por causa da implementação gradual e mudanças constantes durante a transição.
- A pesquisa aponta que o mercado foca no presidente, mas as decisões que afetam o dia a dia dependem do Senado, Câmara e governos estaduais, e os empresários buscam previsibilidade para investir a partir de 2027.
Em 5 de julho, o Brasil inicia oficialmente um novo ciclo eleitoral. Pré-candidatos poderão se promover dentro de seus partidos, e outubro de 2026 definirá quem lidera a próxima etapa da reforma tributária. O conjunto de fatores econômicos também é tema de preocupação para o empresariado.
Uma sondagem da consultoria FTI Consulting, com 31 grandes corporações, revela sensibilidade elevada ao pleito. A média de preocupação ficou em 3,87 em uma escala de 1 a 5, indicativo de nervosismo acima do observado em eleições anteriores.
Além do histórico eleitoral, o estudo aponta mudanças recentes no cenário externo. A diretora Raquel Rocha afirma que o Brasil passou a enfrentar consequências globais mais próximas, com a cadeia global de valor ampliando a exposição a choques internacionais.
Custo Brasil e incertezas
O diagnóstico concentra-se no chamado Custo Brasil: burocracia, tributos, regras trabalhistas e insegurança jurídica que elevam o custo de produzir, transportar e vender no país. A mora de crédito, com a Selic a 14,25% ao ano, amplia esse efeito.
Dados da Intra Asset mostram 9 milhões de CNPJs negativados e R$ 220,9 bilhões em dívidas em atraso, nível recorde. Esse cenário influencia planos de crescimento e a avaliação de risco entre stakeholders.
A reforma tributária, aprovada recentemente, deve trazer benefícios a longo prazo, mas a implementação gradual cria incerteza operacional no curto prazo, principalmente durante a transição legislativa.
Foco no governo e no Congresso
O levantamento aponta um deslocamento de atenção: as decisões que afetam o dia a dia das empresas dependem do Senado, da Câmara e dos governos estaduais, não apenas do presidente. A visão é de que o tabuleiro político completo importa.
Raquel Rocha explica que as empresas ainda não possuem método claro para incorporar risco político e geopolítico em estratégias. O efeito prático observado é o impacto imediato no caixa e na tomada de decisão.
Essa visão mais pragmática já altera expectativas sobre os candidatos. O discurso corporativo prioriza quem oferecerá menos ruído institucional, buscando previsibilidade para investimentos.
O que esperar até 2027
O relatório orienta que a próxima gestão federal tenha responsabilidade fiscal, estabilidade institucional e regras claras como condições de governabilidade. Sem isso, a confiança do setor produtivo tende a permanecer cautelosa.
Caso as promessas de campanha atendam a essas exigências, o setor produtivo pode reduzir a postura defensiva e avançar com investimentos já a partir de 2027. Enquanto isso, o país permanece atento aos sinais de estabilidade.
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