- O Grupo Dolly teve o pedido de recuperação judicial extinto em maio, após oito anos, abrindo caminho para uma possível falência com dívida fiscal de R$ 15,7 bilhões.
- A Dolly teve prejuízo líquido de R$ 25,8 milhões em dezembro de 2025, o que levou à desistência da recuperação e tentativa de recuperação extrajudicial com credores.
- A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo pedem a falência da empresa devido à dívida tributária com a União e o governo paulista.
- A nova lei tributária, de 2020, passou a exigir certidão negativa de débitos para aprovação de planos de recuperação, tornando mais difícil uma nova reestruturação enquanto o passivo fiscal não for resolvido.
- A Dolly segue operando durante o processo; autoridades destacam preocupação com os funcionários e mencionam a possibilidade de administração judicial para preservar empregos, com risco de “falência continuada” dependendo da condução da massa falida.
O Grupo Dolly teve o pedido de recuperação judicial extinto em maio, após oito anos parados, abrindo caminho para uma possível falência com uma dívida fiscal de 15,7 bilhões de reais. A mudança na legislação endureceu as regras para empresas endividadas com o Fisco, o que reduz as chances de uma nova reestruturação.
A Dolly desistiu da recuperação judicial que havia protocolado em 2018, após registrar prejuízo líquido de 25,8 milhões de reais em dezembro de 2025. A fabricante de refrigerantes agora busca negociações diretas com credores por meio de uma recuperação extrajudicial.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo solicitaram a falência da Dolly, cobrando a dívida tributária referente à União e ao governo paulista.
Nova lei tributária e impacto
A ausência de certidão negativa de débitos tributários pode inviabilizar a nova tentativa de acordo. Em 2020, a lei passou a exigir esse documento para aprovação de planos de recuperação, eliminando a prática de homologar planos sem quitar o passivo fiscal.
Conforme o especialista em gestão de crise André Rocha, a dívida fiscal não fica mais marginalizada em processos de recuperação, dificultando novas reestruturações enquanto o passivo não é resolvido.
A defesa da Dolly, na visão do advogado Luciano Ramos Volk, pode atrasar a decisão sobre a falência, dada a complexidade do grupo e o histórico judicial de oito anos.
Operação e cenário futuro
Mesmo com o pedido de falência, Dolly mantém as operações. A PGFN e a PGE-SP afirmam que a medida não interrompe o funcionamento da empresa e visa apenas proteger o interesse público e cobrar créditos tributários.
Segundo Paula dos Santos Nogueira, do Abe Advogados, a busca por uma solução envolve possível supervisão de administrador judicial para garantir a estabilidade dos empregos e manter a empresa operando de maneira saudável até uma nova gestão.
Especialista em recuperação de crise afirma que a massa falida pode continuar sob gestão judicial, com eventual leilão da operação caso a falência seja decretada, preservando ativos da marca.
Entre na conversa da comunidade