- Lula indicou José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, para coordenar o programa de governo na campanha de reeleição.
- Gabrielli é professor aposentado da Universidade Federal da Bahia e figura histórica do PT na Bahia, próximo ao senador Jaques Wagner.
- No governo Lula, Gabrielli chefiou a Petrobras durante o período de maior expansão da estatal, com crises e o caso Pasadena; a gestão ficou associada à Lava Jato.
- Economistas ouvidos pela imprensa dizem que a escolha sinaliza continuidade de uma agenda desenvolvimentista, com maior protagonismo do Estado, enquanto outros criticam o modelo.
- A estratégia é associada à era Dilma Rousseff e à Nova Matriz Econômica, que envolve maior intervenção estatal e crédito público, gerando receios sobre impacto fiscal; o PT afirma que as posições são contribuições ao debate interno.
O presidente Lula escolheu José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, para coordenar o programa de governo da campanha à reeleição. A nomeação indica a continuidade de uma linha econômica desenvolvimentista, com maior protagonismo do Estado. A decisão foi anunciada no contexto da preparação da estratégia eleitoral do PT.
Gabelli, professor titular aposentado da UFBA e pós-doutor pela London School of Economics, é veterano do PT na Bahia ao lado do senador Jaques Wagner. Ele assume em um momento em que o partido defende expansão do gasto público como motor de crescimento, posição que já foi alvo de críticas de economistas.
Quatorze anos depois de deixar a Petrobras, aos 77 anos, Gabrielli volta ao centro de uma campanha que mira a continuidade de políticas implementadas no início dos anos 2000. Economistas ouvidos pela imprensa tratam a escolha como sinal de reforço a uma agenda econômica já criticada por parte do mercado.
O que se pretende manter
As primeiras declarações de Gabrielli defendem manter a expansão do gasto público caso Lula seja reeleito. A ideia é ampliar o papel do Estado em áreas como política industrial e investimentos estratégicos, com controle da política monetária.
Para ele, o equilíbrio das contas pode ocorrer por meio de instrumentos alternativos, sem detalhar quais. A visão reforça a defesa de uma intervenção estatal relevante na economia.
Reação de analistas e do mercado
Especialistas ouvidos pela imprensa divergem sobre o mérito da proposta. Alguns defendem que o modelo, denominado desenvolvimentismo, não teria mostrado resultados consistentes e pode aumentar desequilíbrios fiscais.
Outros lembram que o histórico recente revela fragilidades associadas ao elevado gasto público, à expansão do crédito e à participação estatal. A crítica envolve impactos sobre a competitividade e o papel da iniciativa privada.
Perspectivas da campanha
A direção petista afirma que o programa de governo será construído em conjunto com aliados, com a palavra final ainda sob o presidente Lula. O PT reconhece que Gabrielli representa uma linha de continuidade para o governo, segundo nota oficial da campanha.
A repercussão entre economistas reforça que o debate econômico será central na disputa eleitoral. A escolha de Gabrielli coloca o tema da intervenção estatal em evidência, com foco em políticas de longo prazo.
Trajetória na Petrobras e controvérsias
Gabrielli ingressou na Petrobras em 2003 como diretor financeiro, assumiu a presidência em 2005, período de expansão da estatal. Sob seu comando, a empresa passou a protagonizar a agenda de desenvolvimento dos governos petistas, incluindo a fase do pré-sal.
Entre as operações mais criticadas está a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, alvo de questionamentos no Tribunal de Contas da União e de posteriores disputas judiciais. A gestão também ficou associada ao ciclo investigativo da Lava Jato.
Apesar de não ter sido condenado criminalmente, a atuação de Gabrielli na Petrobras é alvo de debates no âmbito político. A gestão do período é lembrada por controvérsias que voltam a ser discutidas no cenário eleitoral.
Contexto institucional
A nomeação ocorre em um momento de tensões econômicas e políticas no Brasil. O PT busca apresentar um eixo de governança que misture expansão de gasto com estratégias de desenvolvimento, enquanto o mercado observa sinais de ajustes e mudanças institucionais.
A seleção de Gabrielli redefine, para o campo petista, o eixo central da comunicação sobre economia. O governo em vigência é avaliado pela condução fiscal, pela inflação, pela volatilidade cambial e pela confiança de investidores.
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