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Taxa de títulos públicos preocupa; Tesouro pode agir, diz número 2 da Fazenda

Tesouro pode atuar para manter liquidez de NTN-B com taxa real em oito por cento, diante de volatilidade de mercado e pressão de debêntures incentivadas

Secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron
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  • O secretário-executivo Rogério Ceron afirmou que a taxa real dos títulos NTN-B supera 8% ao ano, e que o Tesouro pode recomprar títulos para preservar a liquidez, se necessário.
  • Intervenções no mercado ocorreram em março, com compras que ajudaram a conter a alta dos juros; a atuação do Tesouro depende das condições de liquidez no momento.
  • O balanço de liquidez do Tesouro apontou 1,2 trilhão de reais ao final de maio, conforme relatório da dívida pública.
  • Além da política fiscal, fatores externos pesam sobre a curva de juros, como juros elevados nos Estados Unidos, menor liquidez internacional e baixa poupança doméstica; as debêntures incentivadas disputam poupança com NTN-B, elevando o custo de financiamento.
  • Ceron defende agenda estrutural para reduzir juros de longo prazo, com foco no aumento da poupança e na melhoria de garantias e análise de risco; reduzir a Selic, por si só, não basta para baixar o custo do crédito.

O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, expressou preocupação com a taxa real dos títulos públicos indexados à inflação (NTN-B), que já passa de 8% ao ano. Ele afirmou que o Tesouro Nacional está preparado para atuar no mercado se julgar necessário manter a liquidez.

Ceron ressaltou que atribuir a alta apenas a dúvidas sobre política fiscal é simplista. Em entrevista à Folha, disse que é preciso um esforço do país para reduzir a taxa de juros de longo prazo e evitar impactos mais amplos na economia.

O Tesouro monitora o mercado e pode realizar recompras de títulos para oferecer uma saída aos investidores, caso seja necessário. Em março, intervenções superiores a 47 bilhões de reais ajudaram a conter a alta dos juros durante volatilidade.

Panorama de liquidez e volatilidade

A gestão da dívida mantém reserva de liquidez que atingiu 1,2 trilhão de reais ao fim de maio, segundo relatório divulgado recentemente. Ceron aponta fatores externos, como juros nos EUA, bem como menor poupança doméstica, como pressões à curva de juros.

Ele enfatizou ainda o papel das debêntures incentivadas, que competem pela mesma poupança que financia os títulos públicos, reduzindo a demanda por NTN-B e elevando o custo de funding do governo.

Agenda e medidas estruturais

O secretário defendeu uma atuação de longo prazo para reduzir o custo do crédito, com foco no aumento da poupança e no fortalecimento de garantias. Embora reconheça o impacto de uma eventual queda da Selic, afirma que não basta para reduzir margens de juros para famílias e empresas.

Ceron citou a necessidade de medidas estruturais para reduzir o spread bancário, incluindo melhoria na avaliação de risco dos tomadores. Ele criticou a explicação de que o crédito direcionado sozinho explicaria os juros elevados, apontando para fatores adicionais no sistema financeiro.

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