- UBS critica relatório do Banco Nacional da Suíça por considerar engano sobre a prontidão para regras de capital, após o SNB dizer que o banco já tem capital suficiente para cumprir as reformas propostas para instituições “grandes demais para quebras”.
- O banco afirma que a avaliação distorce impactos operacionais e não oferece a análise independente necessária para o debate político.
- O SNB afirmou na análise anual de estabilidade financeira que continua apoiando a exigência de cobertura total de capital para as unidades estrangeiras do UBS, citando que a unidade suíça tem cerca de 9 bilhões de dólares em reservas e atende a essa exigência.
- O governo pretende que o UBS aumente o capital CET1 das operações estrangeiras para cem por cento do valor patrimonial de cada unidade, vs. hoje de sessenta por cento, o que exigiría cerca de 20 bilhões de dólares adicionais na entidade suíça.
- O pacote das reformas segue no Parlamento, com previsão de estender-se até o próximo ano; há possibilidade de redução do escopo, mas as exigências de capital devem permanecer em patamar mais alto, respaldadas pela SNB, pela Finma e pelo FMI.
O UBS Group AG criticou o Banco Nacional da Suíça (SNB) por um relatório regulatório considerado enganoso sobre a prontidão do banco às regras de capital mais rígidas. O embate ganhou intensidade após o SNB afirmar, na manhã de quinta-feira, que o UBS já detém capital suficiente para cumprir as reformas propostas pelo governo suíço para instituições tidas como grandes demais para falir.
O banco suíço contestou veementemente a avaliação, alegando que o relatório distorce o impacto operacional das regras pendentes. A contestação evidencia tensões entre a maior instituição financeira do país e seus principais reguladores, em meio a medidas de estabilidade pós-crise.
Em análise anual de estabilidade financeira publicada na quinta, o SNB disse apoiar a exigência de cobertura total de capital para unidades estrangeiras do UBS. Segundo o banco central, o UBS possui US$ 9 bilhões de capital na unidade suíça, o que, na visão do SNB, basta para atender a essa obrigação.
Mudança de tema: impacto regulatório e custos
O governo pretende elevar o capital ordinário mantido pelo UBS em suas operações no exterior para 100% do valor patrimonial de cada unidade, hoje em 60%. O UBS estima necessidade de cerca de US$ 20 bilhões em capital CET1 na entidade suíça, o que poderia comprometer o modelo de negócios e a economia doméstica.
O UBS destacou que o impacto cumulativo das medidas propostas representaria desvantagem competitiva significativa, citando avaliações independentes e uma agência de rating de crédito como suporte a essa leitura. O banco já tinha considerado opções, incluindo a transferência de sede.
Caminhos e cenário político
No fim de abril, a Suíça flexibilizou parte das reformas, mas manteve as exigências centrais. O pacote principal tramita no Parlamento, com previsão de continuidade até o próximo ano. Há expectativa de reduzir o escopo das propostas, ainda que as exigências de capital permaneçam elevadas.
O SNB, junto da Finma, reforça a defesa da cobertura total de capital. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também apoia essa linha, segundo autoridades suíças.
Perspectivas futuras
Parlamento deve retornar a debate em agosto, quando poderá apresentar propostas de flexibilização. Enquanto isso, a tensão entre o UBS e reguladores continua a repercutir no mercado financeiro suíço, com movimentos de avaliação de risco e impactos operacionais em cena.
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