- O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou Victor Shimada, a Victory Trading Intermediação de Negócios e outras empresas ligadas, por alegados vínculos com o PCC e lavagem de dinheiro.
- Entre onze e doze de agosto de dois mil e vinte e quatro, a Victory recebeu 2.799 transferências de contas do Banco BV, somando 35 milhões de reais que foram retransferidos para compra de criptomoedas.
- A fraude no BV ainda envolve um total superior a 206 milhões de reais, movidos por cerca de 7.000 transferências Pix para 1.463 destinatários em sessenta instituições financeiras.
- A invasão teve origem na interface da Orbitall, processadora do back-end do Abastece Aí, que permitiu que ordens de pagamento fraudulentas fossem processadas como legítimas, drenando recursos do BV, que era banco liquidante.
- O BV recuperou apenas 23.850 reais do montante nas contas da Victory; o caso tramita no Tribunal Regional Federal da terceira região, com recursos contra a absolvição de Shimada e manutenção da acusação de lavagem de dinheiro.
Na década atual, autoridades americanas sancionaram Victor Henrique de Oliveira Shimada e quatro empresas associadas, sob a acusação de ligação com o PCC. A ação envolve uma fraude que, em 2024, desviou recursos do Banco BV. A cifra total supera os 200 milhões de reais, segundo o Ministério Público Federal.
Entre 11 e 12 de agosto de 2024, a Victory Trading Intermediação de Negócios recebeu 2.799 transferências originárias de contas do BV. Desse volume, 35 milhões de reais teriam sido movimentados pela empresa de Shimada e, em seguida, convertidos em criptomoedas, conforme dados do MPF.
A fraude foi registrada em documentos do BV que apontam quase 7 mil transferências Pix, envolvendo 1.463 destinatários em 60 instituições financeiras. O padrão sugere uma pulverização para dificultar o rastreamento, segundo investigadores.
Fraude e origem do ataque
O MPF descreve que o golpe teve início com uma falha na interface da Orbitall, processadora que opera o back-end do Abastece Aí, aplicativo do Posto Ipiranga. O BV atuava como banco liquidante nesse arranjo, permitindo que ordens fraudulentas fossem processadas como legítimas.
Parte dos valores recebidos pela Victory teria sido destinada à compra de criptoativos, configurando, segundo a denúncia, lavagem de dinheiro para ocultar a origem ilícita. Shimada foi processado por furto mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro; em primeira instância, a absolvição da acusação de furto foi contestada, e ele recebeu pena de cinco anos por lavagem, com regime semiaberto possível.
O BV e a Procuradoria recorreram da absolvição, e o caso tramita no Tribunal Regional Federal da 3a Região. O BV busca a restituição dos 35 milhões desviados, enquanto a recuperação parcial já alcançou aproximadamente 23.850 reais, conforme relato nos autos.
Reações oficiais
O BV informou ter identificado as movimentações irregulares por meio de seus serviços de banking as a service e destacou a colaboração com autoridades, inclusive com atuação como assistente de acusação. A instituição ressaltou que não comenta estratégias processuais ou valores envolvidos.
A Ipiranga afirmou que o alerta de segurança em 12 de agosto de 2024 levou à interrupção de serviços do programa KMV e às respectivas apurações, assegurando que não houve acesso indevido a dados de clientes. A Orbitall não comentou o caso até o momento.
Sanções dos EUA
O Departamento do Tesouro norte-americano sancionou Victor Shimada e as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes, ambas em São Paulo, e a Avenidas Flutuantes Unipessoal, sediada em Portugal. As medidas apontam para suposta lavagem de dinheiro associada ao PCC. Shimada nega envolvimento com o PCC.
Segundo o Tesouro dos EUA, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões para o PCC na Flórida, com recursos retornando ao Brasil por meio de criptomoedas. Stella Henrique de Oliveira, ligada a Shimada, também foi sancionada por envolvimento logístico com o fluxo financeiro.
A sanção bloqueou bens nos Estados Unidos e pode alcançar instituições estrangeiras que mantenham negócios relevantes com os sancionados. A defesa de Shimada afirma que a fundamentação não foi disponibilizada para análise, e que não houve confirmação de participação na fraude.
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