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Cooperativas agrícolas ampliam participação no PIB do agronegócio

Cooperativas agrícolas ampliam participação no PIB do agronegócio, de 8,1% em 2019 para 15,4% em 2024, com crédito, assistência técnica e serviços aos associados

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  • A participação das cooperativas agrícolas no PIB do agronegócio subiu de 8,1% em 2019 para 15,4% em 2024, crescimento de cerca de noventa por cento.
  • O cenário inclui aperto financeiro no setor, com queda de preços das commodities, aumento da inadimplência rural e dificuldades financeiras de revendas de insumos.
  • As cooperativas ampliaram crédito, barter e serviços aos associados, ocupando espaço deixado pelas revendas em dificuldades.
  • A inadimplência do crédito ligado ao agronegócio saiu de cerca de 3% e passou a registrar aproximadamente 15%.
  • As cooperativas avançam em quatro frentes: industrialização, biocombustíveis, expansão geográfica e aquisições de ativos de empresas em dificuldades, com o Sul liderando em número de cooperativas e Centro-Oeste e Sudeste apontando maior potencial de crescimento.

As cooperativas agrícolas brasileiras aparecem como grandes vencedoras do atual ciclo de aperto financeiro no agronegócio. Levantamento da L.E.K. Consulting mostra que a participação dessas organizações no PIB do setor subiu de 8,1% em 2019 para 15,4% em 2024, avanço próximo a 90%.

O estudo aponta que o movimento decorre de mudanças no financiamento rural, com o recuo do Plano Safra na prática e o aumento da inadimplência entre revendas de insumos. A explicação é de que as cooperativas assumiram funções de crédito, assistência técnica e serviço aos produtores.

A diferença entre cooperaativas e revendas ficou mais evidente após a queda de preços da soja e do milho. Empresas como AgroGalaxy, Lavoro e Belagrícola entraram com recuperação judicial ou extrajudicial, enquanto as cooperativas mantiveram o crescimento da participação de mercado.

Frentes de atuação

Segundo Bruno Brandi, da L.E.K., o cenário evidenciou fragilidades no modelo de financiamento de grande parte da distribuição. Muitas revendas operavam como bancos, com barter e prazos alongados, o que acabou se revelando insustentável diante da inadimplência.

A consultoria aponta que a inadimplência ligada ao agronegócio, historicamente ao redor de 3%, aproxima-se de 15%. O custo das safras subsequentes pesou sobre a renda dos produtores e elevou o índice de inadimplência.

Diante disso, as cooperativas expandiram o crédito, o barter, a assistência técnica e os serviços aos associados, criando um ecossistema mais completo para o produtor. O objetivo é reduzir a inadimplência e fortalecer vínculos de longo prazo.

Deslocamento de forças e perspectivas

A análise indica que as cooperativas diversificam receitas e capturam valor em várias etapas da cadeia. Hoje, investem em industrialização, biocombustíveis, expansão geográfica e aquisições de ativos em dificuldade financeira.

A industrialização permite maior ganho de valor agregado, enquanto a entrada no setor de biocombustíveis amplia a base de receitas. Empresas em recuperação judicial podem gerar sinergias operacionais para expansão territorial.

O Sul lidera o crescimento de cooperativas em números absolutos, enquanto Centro-Oeste e Sudeste aparecem como mercados com maior potencial de expansão, dada a densidade de produção e menor presença dessas organizações.

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