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Dólar em alta e eleições são riscos para o Brasil no segundo semestre

Fortalecimento do dólar e incerteza eleitoral podem pressionar o real e reduzir o fluxo de capitais no segundo semestre

Bernardo Carvalho, diretor-executivo da gestora de fundos Gávea: posição para os próximos meses tem foco no exterior
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  • O fortalecimento do dólar e as eleições são vistos como riscos para o Brasil no segundo semestre, segundo Bernardo Carvalho, da Gávea Investimentos.
  • A bonança da economia dos Estados Unidos pode reverter o fluxo de capitais para a Bolsa brasileira e pressionar o real.
  • O dólar, que estava em torno de R$ 5,22 no momento, já refletiu subida após breve queda; investidores internacionais reduziram exposição ao Brasil desde abril.
  • A incerteza sobre a eleição presidencial e medidas para ajustar a dívida pública aumentam o desafio para o Brasil, segundo a gestora.
  • Juros reais de cerca de oito por cento para títulos de 10 anos são vistos como extremely altos; a solução fiscal é apontada como caminho para possível queda dos juros no futuro.

O fortalecimento do dólar e as eleições brasileiras aparecem como fatores de risco para o segundo semestre, segundo Bernardo Carvalho, diretor-executivo da Gávea Investimentos. A visão é de que a bonança da economia dos EUA pode desviar capitais da bolsa brasileira e pressionar o real.

Carvalho aponta que o fim do conflito entre Irã e Estados Unidos reduziu o risco geopolítico de curto prazo, enquanto a economia americana permanece em expansão. Apesar das dúvidas sobre ativos de IA, ele afirma que o ciclo de inovação deve sustentar o crescimento americano nos próximos anos.

Esse cenário externo pode favorecer a valorização do dólar e a depreciação do real, mesmo com inflação elevada nos EUA e juros possivelmente subindo ou mantendo níveis altos. A maior rentabilidade nos títulos e em ações de tecnologia atrai investidores estrangeiros para os EUA.

No Brasil, o fluxo de capital externo ajudou o real a se firmar até março, mas recuou desde abril. Dados apontam entrada de recursos recordes no primeiro trimestre, seguidos por redução da exposição internacional devido à recuperação das ações de tecnologia norte-americanas e a incerteza doméstica.

O fator eleição

A incerteza sobre a eleição presidencial brasileira persiste, com dúvidas sobre o andamento de medidas para reduzir o déficit fiscal e a dívida pública. Carvalho ressalta que a relação dívida/PIB está elevada e que a inflação segue acima da meta de 3% ao ano.

Segundo o executivo, o principal desafio envolve um eventual novo ajuste fiscal, incluindo possíveis reformas para reduzir benefícios excessivos. Ele afirma que, se o governo conseguir sustentar a dívida, pode haver espaço para redução de juros no futuro.

Perspectivas de mercado

O cenário de juros reais elevados, estimados em torno de 8% ao ano para títulos de 10 anos, é visto como um dilema pelo analista. A Gávea considera fundamental melhorar a sustentabilidade fiscal para abrir espaço à queda de juros no médio prazo.

A magnitude dos juros tende a atrair capital e favorecer o câmbio, desde que haja apetite global pelo dólar. Em relação à bolsa brasileira, o desempenho dependerá da atratividade da economia dos EUA e do custo de capital no cenário internacional.

Carvalho avalia que, hoje, os preços das ações já precificam riscos relevantes, o que pode indicar oportunidades para investidores. No entanto, a gestora mantém postura cautelosa diante de juros elevados por período prolongado.

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