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Em escassez: como a Guerra do Golfo ameaça a segurança alimentar do Quênia

Kenya enfrenta risco de perda na colheita de milho por escassez de ureia, enquanto governo busca fontes alternativas para evitar impactos na segurança alimentar

Peter Kitur, a 72-year-old farmer in Trans-Nzoia, Kenya, who buys the government subsidized fertilizer. Photo by Achieng’ Otieino for Mongabay.
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  • Agricultor de Trans-Nzoia teme perder até 30% da safra por falta de ureia, essencial para a adubação de top dressing.
  • Governo afirma ter estoque suficiente de fertilizante (inclui 2 milhões de sacos para top‑dressing) e busca fontes alternativas, como Argélia e Marrocos, para manter a segurança alimentar.
  • Trans‑Nzoia é importante para o milho, e, segundo dados de 2024, respondeu por 423.156 toneladas (10,5% do total nacional de 4.028.320 t).
  • O programa de subsídio fertilizante deste ano destina 139 milhões de dólares para agricultores terem insumos pela metade do preço; há filas em depósitos públicos e o preço no varejo subiu.
  • Desafios logísticos e custos elevados, com dependência de Hormuz para fertilizantes nitrogenados, pressionam preços locais e obrigam o governo a buscar novas fontes para evitar impactos na produção de milho.

O semeio de Trans-Nzoia enfrenta uma ameaça invisível: o atraso no acesso a fertilizante pode reduzir até 30% da colheita de milho de pequenos agricultores, como o de Philip Kitur, criador de 41 acres na vila de Kipkeikei.

Kitur teme perder rendimento se não obtiver ureia. A preocupaçao acompanha uma safra que depende de aplicação de topdressing para manter a produtividade, em meio a choques causados pela tensão entre Irã e EUA.

O ministro da Agricultura do Quênia afirma que o país possui estoques adequados de fertilizante, incluindo 2 milhões de sacos para top-dressing, e busca fontes alternativas para manter a segurança alimentar diante de rupturas globais.

Conversa com potenciais fornecedores já envolve a possível importação de ureia da Argélia e fertilizante de Marrocos, como resposta a incertezas na região do Golfo.

Trans-Nzoia é um pilar da produção de milho do país, respondendo por cerca de 10,5% da produção nacional em 2024, somando mais de 423 mil toneladas, segundo o órgão estatístico.

A região enfrenta pressões históricas sobre o solo: até 63% da terra arável é ácida, com 32% de solos fortemente ácidos, agravados pelo uso intensivo de fertilizantes sintéticos, aponta o Atlas de Solo 2025.

Ao mesmo tempo, estimativas indicam que o Quênia ainda aproveita até 2,1 milhões de hectares plantados com milho, com apoio de políticas de manejo e de pesquisas agrícolas para sustentar a produção.

Programa de subsídio de fertilizante envolve o governo, com gastos em diferentes exercícios para facilitar o acesso a insumos a preços reduzidos, oferecidos a agricultores cadastrados no sistema KIAMIS.

O KIAMIS envia vouchers via SMS para reivindicação de insumos subsidiados. O sistema conta com cerca de 7,5 milhões de pequenos produtores, com 7,2 milhões de cadastrados até novembro de 2025.

Em 2026, agricultores de Trans-Nzoia enfrentaram longas filas em estoques do governo para comprar fertilizante subsidiado, refletindo a demanda vencendo o abastecimento.

Enquanto o subsídio reduz o custo, o preço de mercado do fertilizante subiu. Em janeiro, o saco de diamônio ou ureia custava cerca de 46 dólares no varejo, aumentando a disparidade quando a tensão global elevou os preços.

A dependência do transporte global de insumos expõe o setor a custos crescentes: seguros, combustíveis e atrasos logísticos aumentam o preço final, impactando produtores como Kitur.

A diversificação de fontes de fertilizantes, associada a quedas de oferta na região do Golfo, pode elevar custos adicionais para o Quênia, mesmo com compras governamentais.

A estratégia nacional de fertilizantes envolve contratos abertos e aquisições entre governo e grandes importadores, com histórico de valores elevados durante a volatilidade de 2022.

Dados internacionais indicam que o Quênia importa parte considerável do insumo via Estrito de Hormuz, tornando o abastecimento sensível a conflitos geopolíticos.

A produção de milho tem mostrado ganhos recentes, com aumento de safra registrado entre 2024 e 2025, mas a continuidade depende de disponibilidade de insumos a preços estáveis.

No curto prazo, o governo sinaliza manter o apoio para proteger a segurança alimentar e a soberania alimentar, ainda que enfrente custos adicionais com a logística e com a volatilidade externa.

Perspectiva de política e contexto

As medidas de política agrícola visam manter agricultores em operação frente a choques globais, com foco em ampliar fornecedores além da região do Golfo, reduzir riscos de interrupção e sustentar a produção de milho.

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