- A afirmação de que o fim da jornada 6×1 poderia reduzir o PIB entre cinco e seis por cento, segundo o presidente da Faesp/Senar, Tirso Meirelles.
- Adoção imediata da medida poderia elevar custos de produção no campo e ampliar a inflação, com aumento estimado de dez a trinta e cinco por cento, dependendo da cadeia produtiva.
- Setores mais vulneráveis seriam a pecuária leiteira, com ordenhas em diferentes turnos, e atividades de safra que demandam operações contínuas.
- Há risco de concentração fundiária: setenta e quatro por cento das propriedades rurais de São Paulo têm até sessenta e oito hectares e poderiam sofrer com os custos, favorecendo grandes produtores.
- A discussão ocorre paralelamente à reforma tributária; o argumento é pela transição gradual, por meio de acordos coletivos, citando exemplos do México, Chile e Estados Unidos, com calendário ainda indefinido.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou novo impulso com uma emenda proposta pelo senador Davi Alcolumbre para retirar o período de transição da PEC que prevê a mudança na jornada de trabalho. A proposta ainda não tem prazo definido para tramitação, mas já provoca preocupações entre o setor produtivo.
O presidente da Faesp/Senar, Tirso Meirelles, afirmou em entrevista à CNN Money que a implementação imediata poderia reduzir o PIB entre 5% e 6%. Ele ressaltou o cenário atual de inflação elevada, juros altos e dívida pública em torno de 81% do PIB.
Para Meirelles, o agronegócio é um dos setores mais vulneráveis a mudanças abruptas na jornada. A pecuária leiteira exige ordenhas em turnos diferentes, e as atividades de safra dependem de operações contínuas, segundo o dirigente.
Ele estimou aumento de custos de produção no campo entre 10% e 35%, conforme a cadeia produtiva. Segundo o presidente da Faesp/Senar, a medida pode levar à redução da plantação ou à queda na produção, pressionando os preços dos alimentos.
Outro ponto destacado foi o risco de concentração fundiária. Dados citados apontam que 74% das propriedades rurais paulistas possuem até 68 hectares e teriam dificuldade para absorver o aumento dos custos, favorecendo grandes produtores.
Meirelles associou o tema à reforma tributária em discussão, dizendo que reduzir a jornada de 44 para 40 horas poderia elevar em cerca de 10% o custo da mão de obra e aumentar a insegurança jurídica para empregadores.
Apesar das críticas, o dirigente afirmou que não é contra a modernização das relações de trabalho, desde que haja uma transição gradual, com acordos coletivos e adaptação setorial. Citou exemplos de México, Chile e Estados Unidos, que fizeram reduções da jornada ao longo de vários anos.
Perspectivas e próximos passos
O texto em tramitação prevê um período de transição para a mudança na jornada, cuja implementação imediata é alvo de críticas. A decisão sobre o ritmo da mudança deve considerar impactos setoriais e a estabilidade macroeconômica.
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