- O Banco Central mantém o aperto monetário para conter a inflação estimada em mais de 5,3% neste ano, acima da meta de 3%.
- O mercado projeta desaceleração da economia no segundo semestre, com crescimento de 1,8% a 2% neste ano e queda para cerca de 1,5% em 2027.
- O Cadastro Geral de Emprego (Caged) mostrou abertura de 72.960 vagas em maio, a pior marca desde 2020, gerando debates sobre possível recuo da Selic em agosto.
- A Confederação Nacional do Comércio aponta cautela dos brasileiros com o futuro do emprego, com queda de 0,2% na Perspectiva Profissional em junho.
- A CNC ressalta que a Intenção de Consumo das Famílias ficou em 105,5 pontos em junho, com moderação no mês e demanda estável, enquanto a inflação ainda pressiona gastos.
O Banco Central mantém o aperto monetário como único caminho para frear a inflação, que deve ficar acima de 5,3% neste ano, ante a meta de 3%. O cenário de altas taxas de juros persiste mesmo com sinais de desaceleração econômica previstos para o segundo semestre.
Bancos e consultorias pesquisam uma desaceleração da economia, com crescimento estimado entre 1,8% e 2% em 2026, após 2,3% em 2025. O BC vê apenas ajuste gradual, sem sinal de relaxamento imediato na política de juros. A inflação guia as decisões para convergir à meta.
A criação de vagas formais em maio, segundo o Caged, abriu 72.960 postos, a menor marca desde 2020. O resultado alimenta dúvidas sobre possível retorno a cortes da Selic em agosto, embora o BC ainda não tenha sinalizado mudança de viés.
Perspectiva profissional e emprego
A CNC identificou cautela do consumidor com o mercado de trabalho em sua pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF). Em junho, a Perspectiva Profissional caiu 0,2% frente a maio e permanece 6,3% abaixo de 2025.
Essa preocupação ocorre apesar de dados de emprego ainda resilientes e desemprego em patamares baixos. Economistas destacam fator eleitoral e endividamento como influências da percepção sobre o futuro do trabalho.
Especialistas ressaltam a política monetária restritiva, com meta de inflação de 3% considerada ambiciosa para a economia. A visão é de que ajustes estruturais podem ocorrer mais tarde, em conjunto com política fiscal.
Intenção de consumo e demanda por duráveis
A Intenção de Consumo das Famílias ficou em 105,5 pontos em junho, com variação mensal de 0,1%. O consumo de bens duráveis subiu 1,2%, puxando o indicador, com alta de 20,3% na comparação anual.
A inflação de bens duráveis desacelerou em maio, com deflação de 0,08%, enquanto o IPCA subiu 0,58%. Em doze meses, duráveis acumularam 0,78% de inflação, e o índice geral 4,72%.
Analistas apontam que o câmbio e o endividamento influenciam o comportamento de compra de itens de maior valor agregado, que dependem de crédito. O governo acompanha o tema por impactos eleitorais.
Programas de apoio e cenário fiscal
Diante do endividamento, ações públicas seguem para ampliar o acesso a crédito e reduzir peso financeiro sobre as famílias. O governo avalia novas medidas em linha com o programa Desenrola, incluindo desdobramentos para diferentes perfis de consumidores.
A combinação de juros elevados, crédito restrito e inflação ainda elevada explica a cautela com o emprego a médio prazo, mesmo que o mercado de trabalho permaneça relativamente firme. As decisões futuras vão depender de inflação, atividade econômica e ambiente fiscal.
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