- Luís Eulálio Vidigal, ex-presidente da Fiesp, manteve diálogo cordial com o colunista sobre o caso Cobrasma.
- A Cobrasma informou, no último dia de 1986, a mudança de previsão de resultados para o exercício daquele ano, de lucro de cerca de R$ 50,4 milhões para prejuízo de aproximadamente R$ 66 milhões.
- Seis meses antes, a empresa realizou a maior emissão de ações da história, oferecendo 25,5 bilhões de ações, com apoio de Bradesco, Crefisul e BCN; o mercado acompanhou a queda do valor das ações.
- Advogados da Cobrasma sustentaram que a empresa foi engolida pelo caos econômico nacional, atribuindo as dificuldades a desmandos de política econômica.
- Em março de 1991, Vidigal comunicou à imprensa que entraria com pedido de concordata à Cobrasma; o caso já envolveu denúncias e controvérsias judiciais anteriores.
Luís Eulálio Vidigal, ex-presidente da Fiesp, manteve um diálogo relevante com o colunista sobre o caso Cobrasma, companhia ferroviária em crise na década de 1980. A notícia surge após a morte de Vidigal, aos 87 anos, em tratamento de doença renal crônica, na semana em que se lembra do papel dele no setor industrial paulista.
A Cobrasma, Companhia Brasileira de Material Ferroviário, publicou no fim de 1986 uma nota na Gazeta Mercantil confirmando que revisara sua estimativa de lucro para o exercício daquele ano, de cerca de 50,4 milhões de reais para um prejuízo de aproximadamente 66 milhões. A projeção foi baseada em expectativas de correção de preços de seus produtos, sustentadas por fontes oficiais do governo.
Na prática, o cenário econômico conduzia a um congelamento de preços durante o Plano Cruzado, o que impactou empresas dependentes de políticas públicas. Em março de 1991, Vidigal entrou em contato com o repórter para comunicar novidades que envolveriam a Cobrasma, ampliando o histórico de diálogo entre o empresário e a imprensa.
Até então, a Cobrasma havia feito, seis meses antes, a maior emissão de ações da sua história, colocando à venda 25,5 bilhões de ações apoiadas por projeções positivas. O principal cliente era o governo, com o suporte de bancos como Bradesco, Crefisul e BCN, além de outras instituições financeiras. O movimento envolveu perdas para 124 instituições e para milhares de pequenos e médios investidores.
A empresa enfrentava críticas de que havia sido sugada pelo caos econômico e por políticas públicas inconsistentes. Advogados da Cobrasma defenderam que a empresa foi engolida por um cenário macroeconômico instável, caracterizado por desmandos na orientação econômica nacional.
Ao longo da cobertura, Vidigal tornou-se fonte importante da coluna, mantendo um canal direto com o veículo para esclarecer fatos relevantes do caso Cobrasma. Em momentos distintos, a imprensa registrou contatos do ex-dirigente para atualizar a situação da companhia e as consequências para investidores e mercado.
O caso também remete a decisões judiciais envolvendo o sistema financeiro na década de 1980, incluindo desdobramentos de denúncias contra dirigentes de bancos e autoridades, que compuseram o contexto de alto risco para investidores na época. A história evidencia como a volatilidade econômica impactou empresas e investimentos no Brasil de então.
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