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Pix no Mercosul: especialistas debatem viabilidade da proposta de Lula

Pix no Mercosul é viável tecnicamente, mas depende de coordenação regulatória e padronização entre bancos centrais para interoperabilidade

Internacionalização do Pix exigiria investimentos em tecnologia e integração
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  • Lula sugeriu expandir o Pix para todo o Mercosul, como forma de integrar o bloco, durante discurso na cúpula no Paraguai.
  • Especialistas destacam desafios de coordenação política e regulatória, além da necessidade de interoperabilidade entre sistemas diferentes e padrões técnicos comuns.
  • Mantendo soberania cambial, o modelo manteria Real, Peso e Guarani, exigindo que bancos centrais adotem padrões técnicos equivalentes.
  • Os benefícios apontados incluem turismo regional, comércio de fronteira, pequenas empresas e transferências entre pessoas físicas, com redução de custos e prazos, desde que haja padronização global.
  • A implementação seria viável como projeto de infraestrutura financeira, com pilotos em curto prazo, mas a adoção ampla tende a ser lenta devido a questões regulatórias, legais e de governança.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu ampliar o Pix para todos os países do Mercosul, em discurso na cúpula do bloco no Paraguai. A ideia busca fortalecer a integração regional por meio de uma infraestrutura de pagamentos comum, mantendo a soberania cambial de cada país.

Especialistas ouvidos pelo portal destacam que a proposta é tecnicamente ambiciosa e enfrenta desafios regulatórios e políticos. A interoperabilidade entre sistemas distintos surge como o principal entrave para a viabilidade prática da iniciativa.

De acordo com Renan Silva, professor de economia do Ibmec Brasília, a proposta seria uma integração de infraestrutura, não de moeda compartilhada. O maior desafio seria fazer os bancos centrais adotarem padrões técnicos semelhantes.

Silva destaca que o Pix no Mercosul preservaria Real, Peso e Guarani, evitando a adoção de uma moeda comum. Porém, o passo exigiria investimentos em infraestrutura tecnológica compatível entre as partes.

Para o economista Vanderson Aquino, os ganhos visíveis ficariam com turismo, comércio na fronteira, pequenas empresas e transferências entre pessoas, por reduzir custos e prazos. A padronização global é crucial para o sucesso.

Aquino aponta que o projeto pode funcionar como piloto regional, alinhado a iniciativas globais como o Nexus. Sem interoperabilidade entre blocos, há risco de duplicidade e fragmentação.

Apesar de a viabilidade técnica existir, a implementação seria gradual. O processo envolve bancos centrais, legislação, câmbio, prevenção à lavagem de dinheiro e mudanças políticas.

Lula já havia sinalizado caminhos para facilitar relações financeiras com parceiros do Brasil. Em 2023, ele defendeu a criação de uma moeda comum entre os BRICS, destacando a necessidade de reduzir a dependência do dólar.

Segundo o presidente, bancos centrais poderiam explorar instrumentos compartilhados para financiar relações comerciais entre Brasil e China e entre outros membros dos BRICS. A proposta atual, porém, se conecta a uma infraestrutura de pagamentos transnacional.

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