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Tokenização pode acelerar mercados, mas ampliar riscos, alerta FMI

FMI alerta que a tokenização acelera pagamentos e liquidações, mas pode transferir riscos a plataformas e códigos, exigindo regulação robusta

Tokenização pode tornar mercado financeiro mais rápido, mas ampliar riscos, alerta FMI
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  • O FMI alerta que a tokenização pode tornar o mercado mais rápido e eficiente, mas também mais vulnerável a choques, falhas operacionais e movimentos bruscos de liquidez.
  • A tokenização permite que negociação, transferência e pagamento ocorram em segundos, em vez de levar dias com o sistema tradicional.
  • Riscos incluem migração de vulnerabilidades para plataformas, códigos e infraestruturas responsáveis pelas transações, com possibilidade de propagação rápida de problemas.
  • Benefícios apontados: redução de custos operacionais, pagamentos mais rápidos e liquidações facilitadas; modelos de dinheiro digital incluem depósitos tokenizados, stablecoins atreladas a moedas fiduciárias e reservas tokenizadas de bancos centrais.
  • Desafios regulatórios: necessidade de acompanhar o código, assegurar interoperabilidade entre redes, clareza jurídica sobre propriedade e reconhecimento de liquidação em blockchain, com atenção especial a economias emergentes.

A tokenização pode tornar o mercado financeiro mais rápido, barato e eficiente, mas também aumenta a vulnerabilidade a choques, falhas operacionais e movimentos bruscos de liquidez. O alerta foi feito por Tobias Adrian, diretor do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do FMI, em artigo publicado nesta quinta-feira (2).

A ideia da tokenização é representar ativos financeiros como ações e títulos em redes digitais compartilhadas, como blockchains. Na prática, negociações, transferências e pagamentos podem ocorrer quase ao mesmo tempo, por contratos inteligentes. No sistema tradicional, etapas como execução, compensação e liquidação costumam levar dias.

Para Adrian, a mudança não é apenas tecnológica. Ativos digitais podem migrar riscos dos balanços de bancos para plataformas, códigos e infraestruturas que coordenam as transações. “Fricções desaparecem, mas os amortecedores também”, ele afirma no texto.

Regulação precisa acompanhar a velocidade da tokenização

O FMI ressalta que marcos regulatórios atuais foram desenvolvidos para um sistema mais lento, com ciclos de dias úteis. A supervisão, segundo o FMI, deve alcançar o código dos contratos inteligentes críticos, que podem se tornar “importantes demais para falhar”.

A concentração de liquidez em poucas plataformas grandes também é citada como risco. Falhas de governança, cibersegurança ou interrupções operacionais podem ter impacto sistêmico. A interoperabilidade entre redes tokenizadas é essencial para evitar liquidez aprisionada.

A necessidade de clareza jurídica é destacada pelo FMI. É preciso definir se registros tokenizados representam propriedade definitiva, se a liquidação em blockchain tem reconhecimento legal e qual jurisdição se aplica em operações transfronteiras. Sem isso, a tokenização pode permanecer periférica.

O organismo aponta ganhos potenciais para economias emergentes, com pagamentos mais rápidos e acessos ampliados a mercados. Contudo, fluxos tokenizados podem atravessar fronteiras com maior rapidez, exigindo resposta rápida de autoridades econômicas e elevando riscos de movimentos voláteis de capital.

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