- Audiências públicas em Washington começam na segunda-feira (6), para discutir as novas tarifas propostas pelo governo dos EUA sobre o Brasil.
- Associações brasileiras de indústria defendem que sobretaxas de 25% podem elevar custos de insumos, encarecer operações de empresas americanas e, no fim, prejudicar consumidores nos EUA.
- Participam da ação entidades como CNI, Fiesp e CNA, além de setores como máquinas, calçados, madeira processada e café, com 365 pleitos enviados ao USTR.
- Azevêdo, embaixador brasileiro, representa as associações; o grupo sustenta o “efeito bumerangue” das tarifas e defende cooperação industrial entre Brasil e EUA.
- Na terça-feira (7), há audiência sobre práticas comerciais do Brasil, enquadradas pela investigação da Seção 301; incluem-se ainda debates sobre o comércio e desmatamento.
Representantes de associações de indústrias e de produtores brasileiros vão defender, em audiências públicas em Washington a partir desta segunda (6), que as novas tarifas propostas pelo governo dos EUA podem prejudicar a cadeia produtiva norte-americana. A discussão ocorre no âmbito da investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
As entidades argumentam que as sobretaxas de 25% elevam custos para produtores que dependem de insumos vindos do Brasil, encarecendo operações de empresas e, por conseguinte, os produtos ao consumidor nos EUA. A audiência é promovida pelo USTR, Escritório do Representante Comercial dos EUA, para avaliar as práticas comerciais do Brasil.
Entre as organizadoras estão a CNI, a Fiesp e a CNA, que também participarão dos painéis. A participação de associações de setores como máquinas, calçados, madeira processada, café e ferro-gusa também foi confirmada, com representantes de várias entidades setoriais.
Audiência e participantes
A audiência, convocada pelo USTR, discute a atuação brasileira no comércio com os EUA, após a investigação iniciada há aproximadamente um ano. O órgão sugeriu tarifa de 25% sobre uma extensa lista de produtos brasileiros, com exceções relevantes. O objetivo é avaliar impactos da medida.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, está listado como participante. Ele afirmou que viajará aos EUA para defender o Pix, sem esclarecer detalhes de como poderá defender o tema durante as audiências.
Mais de 365 pleitos, entre documentos de entidades, empresas e indivíduos, já foram encaminhados ao gabinete do USTR. A CNI e a Fiesp vão estar representadas pelo embaixador Roberto Azevêdo, em uma estratégia coordenada para contestar a investigação.
Argumentos centrais
O grupo econômico sustenta que o efeito bumerangue das tarifas prejudicaria também os consumidores americanos, ao aumentar custos de insumos e de produção. A Fiesp aponta impactos em empresas de capital norte-americano que operam no Brasil e em companhias ligadas aos EUA que dependem de insumos brasileiros.
A CNI afirma que as tarifas não se justificam por aspectos jurídicos, econômicos e estratégicos. Segundo o documento das entidades, fornecedores brasileiros são vitais para determinadas cadeias de suprimento nos EUA, especialmente em setores estratégicos.
As entidades ressaltam que a relação comercial Brasil-EUA é superavitária para os Estados Unidos, o que contestaria a premissa de dano ao comércio. Pontos de cooperação foram citados, como avanços no combate à pirataria e ao desmatamento ilegal, além de rebatidas críticas sobre proteção à propriedade intelectual.
Setores e impactos
A CNA reforça a ausência de evidência econômica para sustentar o tarifaço, defendendo que as críticas às tarifas preferenciais, ao acesso ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento são injustificadas, inclusive sob as regras da OMC. A cooperação bilateral é apresentada como essencial para empregos e investimentos.
Entre os setores representados estão máquinas, vestuário, calçados e aço. As entidades ressaltam a importância da cooperação entre Brasil e EUA para a economia de ambos os lados. A Cecafé também participa de estratégias de defesa em conjunto com a National Coffee Association, nos EUA.
Alguns fabricantes brasileiros destacaram o uso de insumos de origem brasileira e a necessidade de manter isenções tarifárias em setores específicos, como o café. A NCA, associação dos EUA, aponta que a produção de café solúvel no Brasil é relevante para inovação de produtos no mercado americano.
Representantes de empresas como WEG, Bauducco, Nestlé, Taurus, Coca-Cola e Suzano enviaram manifestações ao USTR para influenciar o debate. A audiência continua com a proposta de esclarecer impactos das tarifas sobre a economia de ambos os países.
Próximos passos
A segunda audiência, agendada para terça-feira (7), tratará do processo que levou o Brasil a integrar a lista de países acusados de importação de mercadorias produzidas com trabalho análogo à escravidão. As discussões devem consolidar argumentos a favor e contra as medidas comerciais propostas.
Entre na conversa da comunidade