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CIO da Nau Capital diz que estrangeiro não vê Brasil como prioridade

Ibovespa fica atrás de emergentes: juros altos, peso de petróleo e minério no índice e incerteza fiscal freiam valorização brasileira

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  • Mauricio Valadares, da Nau Capital, avalia que o Ibovespa deve ficar abaixo de outros mercados emergentes neste restante do ano, por fatores internos e externos.
  • Os juros elevados, tanto nominais quanto reais, são restritivos para valorização do índice, que também sofre pela sua composição pesada em petróleo e minério de ferro.
  • O investidor global passou a olhar com mais atenção para países com setores de tecnologia fortes, o que dificulta a atratividade do Brasil, que não tem um destaque nesse segmento.
  • Em início de conflito geopolítico, o Brasil teve vantagem por ser exportador de petróleo, mas, com a normalização dos preços da commodity, esse benefício desapareceu.
  • Além de juros altos, questões institucionais pesam. Escândalos como o do Banco Master também diminuem o ímpeto de grandes players globais entrarem no mercado brasileiro, com eleições precificando continuidade do governo e baixa probabilidade de reformas estruturais.

Mauricio Valadares, CIO da Nau Capital, acredita que o Ibovespa deverá ficar atrás de outros mercados emergentes no restante do ano. O otimismo para o momento é limitado por fatores internos e externos, que pesam sobre o mercado de ações brasileiro.

Para ele, dois elementos se destacam como entraves à valorização significativa do índice. O patamar elevado da taxa de juros, com níveis nominais e reais elevados, restringe ganhos. Além disso, a concentração do Ibovespa em petróleo e minério de ferro reduz o impulso de alta.

Valadares aponta ainda que a percepção do investidor global mudou em função do avanço do setor de tecnologia e da euforia com a inteligência artificial. Países como Taiwan, Japão e Coreia têm ganhado atenção pela revisão de lucros de suas grandes empresas.

O analista afirma que o Brasil perdeu parte da prioridade de capital estrangeiro ao não possuir um setor de tecnologia de destaque comparável. Assim, o país figura com menor foco entre investidores globais.

No início do ciclo geopolítico recente, o Brasil chegou a se beneficiar da alta do petróleo pela posição de exportador líquido. Com a normalização dos preços das commodities, essa vantagem competitiva foi reduzida.

Mercado de capitais precisa superar juros altos e instabilidade institucional

Ao avaliar os entraves para uma consolidação mais robusta, Valadares aponta que, além da manter de juros elevados, questões institucionais pesam negativamente. Escândalos envolvendo instituições financeiras costumam afastar grandes players globais.

Para ele, o país precisa avançar em estabilidade jurídica e segurança para atrair investimentos estrangeiros de forma mais consistente. A percepção de riscos institucionais aumenta a cautela de investidores internacionais.

Eleições precificadas como continuidade, sem expectativa de reformas estruturais

Sobre o impacto político, Valadares afirma que o mercado já precifica como cenário base a continuidade do governo atual, com baixa probabilidade de reformas estruturais relevantes nos próximos quatro anos. A perspectiva de mudanças fiscais mais sustentáveis é considerada improvável nesse período.

Mesmo em caso de alternância de poder, o analista não enxerga mudanças transformacionais iminentes. Por isso, o tema eleitoral permanece em segundo plano para o mercado, embora possa ganhar relevância conforme a data da eleição se aproxima.

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