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Déficit aponta falha na disciplina fiscal em 2026

Déficit das estatais soma 7,4 bilhões de reais entre janeiro e maio de 2026, superando o rombo de todo o ano passado, sem incluir Petrobras e Banco do Brasil

Imagem da Esplanada dos Ministérios
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  • Estatais acumulam déficit de R$ 7,4 bilhões de janeiro a maio de 2026, superando o rombo de todo o ano de 2025 (R$ 5,8 bilhões).
  • O resultado foi puxado pelo déficit de janeiro, de cerca de R$ 4,8 bilhões.
  • As estatais federais contribuíram com déficit de aproximadamente R$ 5,9 bilhões no mesmo período.
  • Petrobras e Banco do Brasil ficam fora da conta do Banco Central por terem autonomia de financiamento.
  • Analista aponta que o déficit sinaliza pouca disciplina fiscal e pode indicar necessidade de aportes futuros, com os Correios sendo um peso relevante.

O déficit das estatais brasileiras alcançou 7,4 bilhões de reais entre janeiro e maio de 2026, conforme o Banco Central. O rombo já supera o registro de todo o ano passado, que ficou em cerca de 5,8 bilhões no período de janeiro a dezembro. O BC divulgou os números no relatório de estatísticas fiscais, sem ajuste pela inflação.

O resultado negativo foi puxado pelo desempenho em janeiro, quando as estatais registraram um rombo de aproximadamente 4,8 bilhões. No conjunto de janeiro a maio, as estatais federais acumularam déficit de cerca de 5,9 bilhões. Os dados não incluem Petrobras e Banco do Brasil por terem autonomia de financiamento.

Por que Petrobras e Banco do Brasil ficam fora do cálculo

Especialistas destacam que o BC não considera esses dois casos por operarem com captação de recursos no mercado. A Petrobras emite títulos, capta recursos no exterior e faz operações de bonds, o que as aproxima do setor privado. O Banco do Brasil também realiza captações no mercado doméstico e internacional.

A analista Lucinda Pinto explica que o recorte do BC visa ilustrar o risco fiscal, não o lucro ou prejuízo operacional imediato das empresas. Com isso, o objetivo é sinalizar se o governo pode precisar de aportes ao longo do tempo para manter o funcionamento dessas entidades.

Correios aparecem como um peso relevante no déficit, segundo a analista. Ela aponta pressões de juros, concorrência e a adaptação de uma estatal tradicional a um ambiente tecnológico mais dinâmico como fatores explicativos. O crescimento do déficit ao longo do tempo sugere maior risco fiscal.

O governo chegou a questionar dados do BC, mencionando que as estatais registraram lucro de 169 bilhões de reais em 2025, mas a analista lembra que esse cálculo inclui Petrobras e Banco do Brasil, o que distorce a comparação.

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