- Pedro Rodrigues, do CBIE, aponta que a energia mais barata no papel, como solar e eólica, pode sair cara na prática devido aos custos de transmissão e subsídios.
- O desafio é que o consumo está concentrado no Sudeste, enquanto os grandes complexos ficam no Norte e Nordeste, exigindo milhares de quilômetros de linhas de transmissão.
- A receita garantida às transmissoras subiu de R$ 18 bilhões em 2016 para mais de R$ 51 bilhões em 2025, aumento de cerca de 187%.
- As usinas renováveis chegam a receber 50% a 100% de desconto na tarifa pelo uso da rede, o que transfere parte dos custos para os demais consumidores.
- Rodrigues afirma que não é contra a transição energética, mas defende distribuição justa dos custos, lembrando que a “energia mais barata no papel pode ser a mais cara na tomada”.
O Poder360, em parceria com o CBIE, lança neste sábado o episódio 169 do programa Infra em 1 Minuto, com a análise dos custos embutidos na geração de energia renovável e na infraestrutura de transmissão. O foco é o impacto sobre a tarifa do consumidor.
O especialista Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, explica que a energia solar e eólica é mais barata no papel, mas o custo da transmissão prejudica a conta. A disparidade entre onde se gera e onde se consome aumenta a necessidade de linhas de transmissão.
Segundo dados citados, a receita garantida às transmissoras saltou de R$ 18 bilhões em 2016 para mais de R$ 51 bilhões em 2025, avanço de 187%. O consumo, por sua vez, cresceu 23% no mesmo período, enquanto a expansão da rede ocorreu 6 vezes mais rápido que a demanda.
Rodrigues aponta ainda o peso dos subsídios, com descontos de 50% a 100% na tarifa para usinas que utilizam a rede. Como todas as gerações utilizam a mesma infraestrutura, o custo é repartido entre os demais consumidores.
A reforma também envolve a geração distribuída, com painéis em residências. O especialista observa que quem tem crédito e imóvel próprio pode usar mais a rede, aumentando a cobrança indireta sobre quem não tem esse acesso.
Para o CBIE, não há oposição à transição energética, mas é necessário distribuir os custos de forma mais equitativa. Rodrigues conclui que a energia mais barata no papel pode ser mais cara na prática para parte da população.
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