- A Noruega é uma das economias mais prósperas, com petróleo e gás natural respondendo por cerca de 20% a 25% do PIB há décadas.
- A riqueza tem base na geografia e em setores como transporte marítimo, aquicultura, indústria de energia (especialmente hidrelétrica), alumínio e produtos químicos.
- A maior parte da receita oriunda de petróleo e gás vai para o Fundo Global de Pensões do Governo, criado em 1990, que financia cerca de um quarto dos gastos públicos; o uso segue a regra de apenas o retorno real do fundo.
- A Guerra na Ucrânia elevou os ganhos ao ampliar o abastecimento de gás da Noruega para a Europa.
- O futuro traz desafios, como adaptar a economia ao fim da exploração de combustíveis fósseis e enfrentar o envelhecimento da população, para manter serviços públicos de qualidade.
Noruega, adversária do Brasil na Copa, é destacada entre as economias mais prósperas do mundo. Especialistas apontam que o país construiu alta renda per capita refletida na combinação de recursos naturais, planejamento e investimento público.
A economia norueguesa tem pilares firmes há décadas, principalmente petróleo e gás natural, que respondem por cerca de um quarto do PIB. A geografia favorece a exploração na plataforma continental, com grandes volumes de combustíveis fósseis.
Outro destaque é o setor de transporte marítimo, a aquicultura — especialmente salmicultura — e a indústria intensiva em energia hidrelétrica. Além disso, serviços de alto valor agregado completam o quadro econômico.
Conteúdo sobre o governo e as finanças públicas é estruturado por meio de um fundo soberano criado em 1990. Esse mecanismo evita que a chegada repentina de recursos desequilibre a economia, assegurando estabilidade futura.
O Fundo Global de Pensões do Governo, conhecido como NBIM, acumula ativos para sustentar contas públicas quando as reservas de fósseis diminuírem. Hoje, ele financia cerca de 25% dos gastos públicos com retorno real esperado.
Uma regra rígida limita o uso de recursos: o governo pode gastar apenas o retorno real do fundo, o que protege as contas públicas de flutuações externas. A estratégia reduz a necessidade de reformas drásticas.
A conjuntura externa, como a Guerra na Ucrânia, ampliou ganhos ao facilitar o deslocamento de fornecimento de gás europeu. A Noruega tornou-se provedora relevante para a segurança energética do continente, especialmente diante de cortes russos.
Segundo especialistas, o diferencial norueguês não está apenas no subsolo, mas na organização do desenvolvimento: planejamento estatal, tecnologia, qualificação da força de trabalho e participação de estatais consolidadas fortalecem a economia.
A visão de longo prazo também envolve relações trabalhistas. Em Noruega, a negociação coletiva centralizada, menor informalidade e alta proteção social ajudam a reduzir custos de transação, contribuindo para maior previsibilidade econômica.
Em comparação, o Brasil enfrenta desafios estruturais distintos, como coordenação de receitas de recursos naturais, maior informalidade no mercado de trabalho e variação na qualidade dos serviços públicos. A carga tributária é elevada, mas os resultados variam.
Para o professor Marco Rocha, da Unicamp, o modelo norueguês combina planejamento com instituições fortes e participação social, fatores que ajudam a manter renda e serviços de qualidade, mesmo diante de mudanças no cenário global.
Desafios futuros para a Noruega incluem adaptar a economia ao fim da exploração de petróleo e gás e lidar com o envelhecimento da população. Manter jovens no mercado de trabalho é apontado como essencial para sustentar serviços públicos.
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