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BCs planejam vender dólares e aumentar apostas em ouro

BCs planejam vender dólares e ampliar ouro, sinalizando desdolarização global e maior interesse pelo euro e renminbi

Participação do dólar americano nas reservas cambiais dos bancos centrais caiu para o nível mais baixo em duas décadas no ano passado, segundo o JPMorgan
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  • Pesquisas globais indicam que mais bancos centrais planejam reduzir reservas em dólar do que aumentá-las na próxima década, sinalizando desdolarização.
  • Participação do dólar nas reservas cambiais caiu para o nível mais baixo em duas décadas, mantendo-se em cerca de 58% nos últimos cinco anos, segundo o OMFIF.
  • O euro e o renminbi ganham atratividade: quase todos os bancos veem diversificação com renminbi e dois terços consideram o euro mais atraente para o comércio global; 29% pretendem aumentar reservas em euro no longo prazo.
  • A demanda por moedas alternativas, como dólar de Singapura, won sul-coreano e rand sul-africano, cresce, em meio ao aumento do risco geopolítico.
  • O ouro ganha importância como proteção geopolítica, com participação recorde de bancos centrais em elevar investimentos no metal, ajudando a sustentar reservas diante de incertezas do sistema monetário internacional.

O que acontece: bancos centrais de todo o mundo planejam reduzir suas reservas em dólar na próxima década, sinalizando maior interesse por euro, renminbi e ouro. A mudança decorre de riscos políticos associados à moeda norte‑americana e de uma percepção de maior geopolítica global.

Quem está envolvido: 74 bancos centrais foram ouvidos pela pesquisa do OMFIF (Official Monetary and Financial Institutions Forum), realizada entre março e maio. O JPMorgan também acompanha o tema, destacando a queda histórica do dólar nas reservas.

Quando e onde: o levantamento analisa tendências globais, com dados referentes aos últimos anos e projeções para a próxima década, em ritmo internacional, não limitado a uma região específica.

Por quê: o estudo aponta desdolarização gradual impulsionada pela diversificação de portfólios e pelo aumento da atratividade de euro e renminbi. A busca por proteção contra riscos geopolíticos é citada como motor central.

Panorama da pesquisa e impactos no dólar

Quase todos os bancos centrais pesquisados veem o dólar ainda dominando as alocações, ao redor de 58% nos últimos cinco anos, segundo a chefe de pesquisa do OMFIF, Andrea Correa. Mesmo assim, há movimento rumo a moedas alternativas.

O euro ganha espaço como moeda de uso no comércio global, com dois terços dos respondentes afirmando maior atratividade. Quase 30% disseram desejar aumentar reservas em euro no longo prazo, diante de 22% no ano anterior.

A demanda por renminbi também cresce, com cientistas de políticas destacando a diversificação como motivação. Além disso, moedas como o dólar de Singapura, o won sul‑coreano e o rand sul‑africano aparecem como alternativas em alta.

Ouro como proteção e mudanças no portfólio

O relatório aponta que o risco geopolítico eleva a procura por ouro, que passou a ocupar posição central nas estratégias de reservas. Cerca de 51% dos bancos centrais citaram proteção contra o risco político como motivo, ante 40% no ano passado.

Além disso, a dívida soberana denominada em euros atingiu patamares recordes em 2025, fortalecendo a posição do euro como moeda de referência em títulos verdes, segundo o relatório. O estudo ressalta que o dólar, apesar de ainda dominante, enfrenta um movimento de desdolarização gradual.

Contexto geopolítico e institucionais

O OMFIF observa que a geopolítica superou o ambiente doméstico americano como fator de desestímulo ao investimento em dólar em 2026. O texto aponta que a percepção de maior risco global pesa sobre a demanda pela moeda norte‑americana.

Especialistas destacam que, mesmo com o dólar mantendo liderança, a tendência de diversificação pode acelerar conforme cenários de conflito e postura de políticas externas evoluem. A autoridade monetária americana continua dominante, porém não imune a ajustes de portfólio globais.

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