- Em Bonn, na SB64 (sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção do Clima da ONU), de oito a dezoito de junho, debates sobre financiamento climático com perspectiva de gênero ganharam destaque.
- Mulheres são protagonistas da transição ecológica, liderando negócios socioambientais, cooperativas, agricultura sustentável e iniciativas de inovação, além de serem parte essencial da adaptação climática.
- No setor privado, setenta e oito por cento das operações de financiamento climático não incorporam uma perspectiva de gênero.
- O Fundo Verde para o Clima informa que oitenta e seis por cento dos projetos trazem benefícios para mulheres, mas apenas doze por cento promovem mudanças estruturais.
- A crítica central é que “processo não é progresso”: é preciso redefinir critérios de acesso a recursos e reconhecer negócios liderados por mulheres como ativos estratégicos para a transição ecológica.
A 64ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção do Clima da ONU (SB64) ocorreu em Bonn, Alemanha, de 8 a 18 de junho. O foco foi o financiamento climático com perspectiva de gênero, conectando decisões a mudanças reais e duradouras.
O texto analisa a participação de governos, diplomacia e sociedade civil na discussão sobre como o dinheiro direciona ações climáticas com foco nas mulheres. A nota destaca que o tema já está na agenda, mas ainda não se traduz em transformações estruturais.
A reportagem também aponta que mulheres são protagonistas da transição ecológica, liderando negócios socioambientais, cooperativas e iniciativas de sociobiodiversidade. O desafio é reconhecer essas lideranças nos mecanismos de financiamento.
Desafios do financiamento com perspectiva de gênero
Dados da SB64 mostram avanços na assistência ao desenvolvimento voltada à igualdade de gênero, mas estagnação quando o objetivo principal é a promoção da igualdade. No setor privado, 78% das operações não incorporam gênero.
O Fundo Verde para o Clima informa que 86% dos projetos trazem benefícios para mulheres, porém apenas 12% promovem mudanças estruturais. A líder da Women and Gender Constituency sintetiza: existe menos progresso real do que parece, pois se confunde processo com transformação.
Esse paradoxo revela que é preciso definir o que caracteriza um investimento transformador em termos de gênero. Sem esse consenso, torna-se difícil financiar a transformação necessária para ampliar o acesso a crédito, inovação e mercados para mulheres no Sul Global.
No Brasil e em outros países do Sul Global, mulheres indígenas, produtoras rurais e gestoras de cooperativas continuam encontrando barreiras para acessar grandes fundos internacionais, o que é visto como contrassenso frente aos impactos da crise climática.
Não se trata de ampliar ações assistenciais. A proposta é reconhecer negócios liderados por mulheres como ativos estratégicos para a adaptação climática e o desenvolvimento local. A meta é redesenhar a arquitetura do financiamento climático.
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