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BH tem ônibus e metrô entre os mais caros do Brasil

Tarifa de BH, de R$ 6, é alvo de debate: financiamento do transporte eleva preços, mesmo com expansão da Linha 2 em funcionamento

Inauguração da primeira estação da Linha 2 do metrô de BH
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  • Belo Horizonte tem a segunda tarifa mais cara do país para o metrô, R$ 6,00, atrás apenas do Rio de Janeiro (R$ 7,90).
  • O valor resulta de reajustes desde 2019, quando era R$ 1,80; após privatização, o aumento acumulou alta superior a 13%; governança atual sustenta as linhas com cerca de R$ 40 milhões por ano.
  • No transporte de ônibus, a capital também figura entre os mais caros, com passagem de R$ 5,75, devido ao modelo de financiamento do sistema.
  • Especialistas dizem que altas tarifas refletem falha no financiamento público, levando a perdas de passageiros e a um ciclo de novos aumentos; comparações com São Paulo devem considerar diferenças de rede e subsídios.
  • A Linha 2 do metrô ganhou operação parcial com as estações Amazonas e Nova Suíça em 3 de julho, funcionando de segunda a sexta, das 9h às 16h; a conclusão completa está prevista para 2028.

Belo Horizonte tem, desde a semana passada, duas novas estações do metrô. O reajuste das tarifas elevou o preço da passagem para 6 reais, tornando a capital a segunda passagem mais cara do país, atrás do Rio de Janeiro, com 7,90 reais. O valor supera o de São Paulo, que é de 5,40 reais.

O aumento vem após uma sequência de reajustes iniciada em 2019, quando a passagem era 1,80 reais. Desde então, houve alta superior a 233%. A privatização trouxe elevação adicional de 13,2%. A tarifa atual reflete custos operacionais e o financiamento do sistema.

O governador Mateus Simões, em coletiva, afirmou que o custo de vida aumenta e que o governo aplica cerca de 40 milhões de reais por ano para manter as linhas em funcionamento. Afirmou ainda que o reajuste faz parte do funcionamento do transporte.

Não é só o metrô

No transporte de ônibus, Belo Horizonte também figura entre as tarifas mais altas, com 5,75 reais. Florianópolis registra 6,90 reais. Especialistas apontam que o modelo de financiamento ajuda a explicar os valores.

Giancarlo Gama, cientista político, define o panorama como um sinal de falência do modelo de financiamento do transporte público. Ele descreve um ciclo em que queda de passageiros eleva tarifas e deteriora o serviço.

Guilherme Leiva, professor do Cefet-MG, reforça que a tarifa não deve ser analisada isoladamente. É necessário considerar extensão da rede, cobertura, frequência, integração tarifária, economia de tempo e poder de pagamento da população atendida.

Financiamento e comparação

Ambos os especialistas concordam: o que pesa é quem financia o sistema. Em São Paulo, mais recursos públicos reduzem a tarifa. Em BH, o financiamento estatal fica menor, elevando a parcela paga pelo usuário. A tarifa alta pode ampliar a exclusão de moradores de áreas periféricas.

A dupla analisa que tarifas elevadas podem estimular a migração para transporte individual, o que reduz arrecadação do sistema. Há, ainda, pedidos de maior participação estatal no financiamento do transporte público, considerado direito básico pela Constituição.

Tarifa zero em debate

No ano passado, a Câmara de BH discutiu proposta de tarifa zero para ônibus. O projeto previa gratuidade e um novo modelo de financiamento. O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) foi contrário, citando risco de afastar empresas. A proposta foi rejeitada em primeiro turno.

Impacto da Linha 2

Guilherme Leiva avalia que a expansão da Linha 2 melhora a mobilidade, mas tarifas altas podem frear parte da demanda, especialmente entre a população de menor renda. A literatura aponta que aumentos tarifários costumam reduzir o uso do transporte público.

A nova linha deve facilitar deslocamentos ao oferecer maior capacidade, rapidez e regularidade. A possibilidade de atrair mais usuários dependerá da integração com ônibus, bicicletas, apps de transporte e outros modais.

Operação parcial e próximos passos

A operação parcial da Linha 2 começou nesta sexta-feira, com as estações Amazonas e Nova Suíça em funcionamento. Atendem de segunda a sexta, das 9h às 16h, sem atendimento nos fins de semana.

As obras previstas seguirão em etapas, com novas estações em 2027 e conclusão total prevista para 2028. A infraestrutura visa reduzir congestionamentos e oferecer alternativa de deslocamento para trabalhadores e estudantes.

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