- Um bilhete danificado da Mega-Sena gerou disputa entre a ex-funcionária Clarice Simon e o marido, Cladecir Picoli, e o proprietário da lotérica, Amélio Lenke, em Sinop, Mato Grosso, pelo prêmio de R$ 29 milhões de um sorteio de agosto de 2023.
- A Caixa Econômica Federal informou que pagou pelo jogo com falha na impressão, enquanto a defesa da ex-funcionária alega que ela apenas recolheu o custo do bilhete e que o procedimento de desconto era comum no estabelecimento.
- As autoridades mostraram que o bilhete com defeito foi mantido em um armário pelos funcionários e que houve conferência do resultado com a presença de uma colega antes de declarar que o marido realizou a aposta.
- Em setembro de 2025, Clarice Simon e Cladecir Picoli tornaram-se réus por furto qualificado; a lotérica também é alvo de investigação por possível apropriação indevida.
- O Ministério Público ofereceu denúncia, e as audiências para definir o destino dos 29 milhões estão previstas para fevereiro de 2027 no Tribunal de Justiça.
Um bilhete danificado da Mega-Sena promete um prêmio de R$ 29 milhões, gerando disputa entre a empresa lotérica e uma ex-funcionária em Sinop, Mato Grosso. O sorteio ocorreu em agosto de 2023 e o valor está em jogo na Justiça, após acusações que envolvem furto qualificado.
O caso começou quando, no fim do expediente da lotérica, uma aposta com falha de impressão danificou o comprovante. A funcionária registrou um novo jogo com os mesmos números para a cliente, que recebeu a fração do prêmio dias depois.
As imagens das câmeras mostram a operadora guardando o bilhete danificado em um cofre desativado antes do encerramento do expediente. O concurso daquele dia premiou quatro apostas, entre elas duas em Sinop, emitidas na mesma unidade.
Dinâmica do desbloqueio e reconhecimento do prêmio
Na segunda-feira seguinte, a funcionária voltou ao local para conferir o resultado com uma colega. As gravações registram as duas confirmando que o bilhete remanescente continha as dezenas sorteadas. Em seguida, a funcionária e o marido deslocaram-se a uma agência da Caixa.
A Caixa definiu um prazo de 90 dias para a liberação do montante e abriu verificação interna por rasuras no papel. Em novembro de 2023, o Ministério Público solicitou o bloqueio do dinheiro; em setembro de 2025, a ex-funcionária e o marido foram denunciados por furto qualificado.
Posição de partes e base regulatória
A defesa da ex-funcionária afirma que ela arcou com o custo do bilhete e que havia prática de desconto no local. Segundo ela, se o caixa faltasse, o pagamento era feito, assim como em casos de bilhetes com rasuras. Outra funcionária, responsável pela contabilidade, confirma o pagamento pelo bilhete com defeito.
A área regulatória da Caixa sustenta que comprovantes com defeito cuja quantia seja inferior a R$ 10 não são ressarcidos, cabendo à casa lotérica arcar com o custo operacional. Já o proprietário da lotérica sustenta que normas operacionais proíbem o reaproveitamento de bilhete com vício de impressão, independentemente do valor.
Andamento processual e próximos passos
A Caixa não comente processos em andamento, assegurando o cumprimento da legislação e de ordens judiciais. O Ministério Público continua com a denúncia contra o casal, sem afirmar a titularidade formal do prêmio pela operadora ou pela empresa.
O Tribunal de Justiça marcou audiências de instrução e julgamento para definir o destino do prêmio de R$ 29 milhões, previstas para fevereiro de 2027. O caso segue em tramitação, aguardando decisão sobre a titularidade do montante.
Entre na conversa da comunidade