- Estudo de uma coalizão de dez instituições projeta expansão de 8 milhões de hectares de floresta até 2035 no Brasil, abrangendo Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Zona Costeira, equivalente a duas Suíças.
- Cerca de 42% das áreas protegidas do país ficam em propriedades rurais privadas sob as regras de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente, com o agronegócio como principal detentor do capital natural.
- A aposta central é valoração do capital natural do agronegócio, tratando as florestas como infraestrutura natural que favorece água, solos e a produção agrícola, energética e logística.
- A água entra como eixo estratégico: rios voadores da Amazônia geram cerca de US$ 20 bilhões anuais em precipitação para a agricultura; quase 75% da matriz hidrelétrica depende da floresta.
- O financiamento privado é o gargalo: proposta de instrumentos como blended finance, garantias e project finance, com a necessidade de medir e valorar serviços ecossistêmicos antes de monetizar.
O Brasil pode ampliar áreas de floresta em até 8 milhões de hectares até 2035, impulsionado pelo agronegócio. A projeção aparece em estudo de uma coalizão de dez instituições que olha todos os biomas do país. O foco é transformar florestas em ativos para a produção agroindustrial.
Segundo o relatório, cerca de 42% das áreas protegidas estão dentro de propriedades privadas como Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente, sob regulamento do Código Florestal. O agronegócio figura como o maior detentor de capital natural do Brasil.
A coordenação do estudo aponta que a visão de conservar áreas não é apenas ambiental, mas pode ampliar ganhos econômicos para o setor. A apresentação ocorre durante as COPs da ONU deste ano, com apoio formal da presidência da COP30.
Água é próxima discussão
A edição atual amplia a área de análise para Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Zona Costeira. O foco passa a ser a água e a adaptação climática, além da captura de carbono, com a noção de que florestas atuam como infraestrutura natural.
O estudo enfatiza que serviços ecossistêmicos, como a regulação hídrica, são centrais para a produção agrícola, energética e logística. Pesquisas citadas indicam que os rios voadores da Amazônia geram bilhões de dólares em valor agrícola anual.
Ainda que o tema seja amplo, a ideia central é demonstrar que o agro pode sustentar o desenvolvimento sem desmatamento acelerado, desde que haja mecanismos de valorização dos serviços das florestas.
Restauração e bioeconomia
Parte da expansão viria da restauração dentro de cadeias produtivas. Projetos com foco em mosaicos florestais utilizam áreas degradadas para conciliar plantio com conservação, promovendo certificações como FSC.
Acelera a transição a partir de biocombustíveis, especialmente etanol de milho, que depende de biomassa florestal para secagem de grãos. O setor vê nisso uma chance de investir em florestas sem competir com a produção de alimentos.
O estudo também aponta oportunidades na restauração como motor de financiamento, com parcerias entre grandes bancos e produtores. Projeções do WRI indicam ganhos econômicos até 2050 com serviços ecossistêmicos e bioeconomia.
Financiamento e diagnóstico
Apesar da aparência promissora, o relatório aponta financiamento insuficiente frente às necessidades. Propõem-se blended finance, garantias e estruturas de project finance para viabilizar projetos.
Para os autores, a mensuração de serviços ecossistêmicos ainda é o grande desafio, especialmente para água e biodiversidade. A simples ideia de crédito não basta sem uma metodologia clara de valoração.
Mercados persistem na direção de créditos de alta integridade, ligados a biodiversidade, com demanda já presente de compradores como a indústria de alimentos, que pagam mais por atributos ambientais.
Condições de partida e desfecho
Os autores destacam a necessidade de zerar o desmatamento ilegal e acelerar a validação do Cadastro Ambiental Rural. A contabilidade da floresta precisa medir os benefícios como ativos para proprietários rurais.
Especialistas ressaltam que o Brasil tem condições únicas de conduzir uma transição econômica que reduza desmatamento sem frear o crescimento do agronegócio. A ideia é manter o país na liderança da produção e da conservação.
O estudo recebeu apoio institucional da COP30 e reforça o conceito de mutirão entre governo, setor privado e sociedade civil para mapear o caminho contra o desmatamento. A premissa é valorizar o capital natural nacional.
Entre na conversa da comunidade