- A guerra elevou o custo de insumos para infraestrutura, afetando água, rodovias e saneamento, com atrasos na entrega de produtos e maior gasto com combustível.
- Empresas de água analisam cortar ou reduzir a fluoretação, citando aumento de até 300% no preço do ácido fluossilícico e possível indisponibilidade do insumo.
- A Mosaic informou que enfrenta escassez de enxofre e elevou o preço do ácido fluossilícico, impactando contratos com as companhias associadas à Abcon.
- A Abcon aponta alta de até 300% no sulfato de alumínio (coagulante), maior dificuldade em renovar contratos de longo prazo e prazos de entrega mais longos, com migração para o policloreto de alumínio, mais caro.
- No setor de rodovias, o insumo asfáltico subiu por volta de trinta por cento em pouco mais de quarenta dias, levando concessionárias a monitorar impactos e criar contingências contratuais.
O aumento no preço do petróleo, provocado pelo fechamento do estreito de Hormuz, elevou os custos de insumos usados em infraestrutura, incluindo saneamento, rodovias e obras públicas. Concessionárias relatam atrasos na entrega de produtos e maior gasto com combustível para máquinas e caminhões.
Empresas de água e distribuidoras pressionam para reduzir a fluoretação da água, conforme a lei de 1974 que determina a adição de fluoreto para prevenir cáries. A Abcon aponta dificuldades na aquisição de ácido fluossilícico, subproduto da fabricação de fertilizantes fosfatados, com atrasos de até três meses e alta de mais de 300% no mercado spot.
Marques, diretora da Abcon, informou que a Mosaic, maior fornecedora do ácido, tem enfrentado indisponibilidade de enxofre e elevadas tarifas, o que impacta os contratos com as associadas. A entidade pediu reunião com o Ministério da Saúde, sem resposta até o momento. O assunto envolve também custos operacionais da fluoretação, estimados entre 0,2% e 0,6% do custo total do tratamento de água em cidades de médio a grande porte.
A Mosaic confirmou à Folha a crise de abastecimento e o elevado custo do enxofre, destacando que a indisponibilidade leva a suspensão temporária de novas ofertas de ácido fluossilícico, mantendo entregas de volumes já contratados. A Abcon também relata alta de até 300% no sulfato de alumínio, coagulante essencial para o tratamento, além de dificuldades de renovação de contratos e prazos mais longos de entrega.
Em resposta, algumas empresas já migraram para o policloreto de alumínio (PAC), embora seja mais caro e exija adaptação técnica. A transição pode impactar ainda os preços do PAC, com riscos de reajustes no mercado. Além disso, há efeito indireto nos preços de tubos de PVC e Pead, derivados do petróleo, com altas de até 45%.
Para o setor, o tempo de entrega de tubos de PVC subiu de até 30 dias para 45–60 dias, enquanto o Pead passou de 45–60 dias para 75–90 dias, elevando a complexidade de cronogramas de obras. Marques ressalta que o país vive momento de investimentos para universalização de água e esgoto, com estoques geridos para evitar atrasos.
O setor de saneamento segue monitorando impactos diretos nos custos e cronogramas, mantendo planos de investimentos e buscando alternativas para manter obras em andamento, mesmo frente ao cenário de volatilidade de insumos.
INSUMO ASFÁLTICO
No segmento de rodovias, o preço do petróleo elevou o custo de insumos para infraestrutura viária. A Via Cristais, concessionária da Vinci Highways que opera 594 quilômetros da BR-040, registrou alta de cerca de 30% no insumo em pouco mais de um mês.
Apesar da elevação, a empresa afirma que não prevê impactos imediatos nos investimentos e mantém o funding adequado. A possibilidade de requerer reequilíbrio contratual ainda não está decidida.
A EcoRodovias acompanha a variação de preços do material asfáltico e afirma que cada mudança é monitorada por meio de contingências. Conforme a gestão, respostas contratuais são encaminhadas às autoridades concessionárias quando necessário.
O cenário demonstra a sensibilidade de obras de infraestrutura a choques geopolíticos, com efeitos diretos nos custos de materiais, cronogramas e governança de contratos.
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