- O texto defende que credibilidade fiscal, apoiada por uma âncora fiscal, reduziria juros reais e aumentaria a eficácia da política monetária.
- A situação atual envolve gastos obrigatórios crescentes, dívida alta e prêmio de risco elevado, dificultando a gestão da inflação.
- Não basta apenas elevar a meta de inflação; a comparação com o padrão internacional indica que 2% nos EUA (PCE) fica próximo do IPCA, tornando a meta brasileira ambiciosa para o contexto brasileiro.
- A transmissão da política monetária é incompleta: parte da dívida é pós-fixada, o que eleva renda de detentores de títulos e reduz o efeito dos aperta monetário sobre a inflação.
- Propõe-se uma agenda para o próximo governo com contenção de gastos obrigatórios e discussão de uma meta mais compatível com a realidade brasileira, possivelmente entre 4% e 4,5%, para reduzir juros reais.
O Brasil enfrenta um círculo vicioso: juros reais elevados, inflação longe da meta, dívida pública em alta e menor investimento produtivo. Este cenário já foi tema de análises anteriores sobre gastos obrigatórios, meta de inflação e transmissão da política monetária.
A coluna cita a necessidade de sair desse ciclo por meio de uma âncora fiscal crível. A ideia é alinhar despesas públicas, dívida e metas inflacionárias para reduzir custos de rolagem e melhorar a eficácia da política monetária.
Segundo estudos, elevar a meta de inflação não é solução simples. Uma meta mais próxima da realidade fiscal exige credibilidade fiscal para não reduzir a confiança dos agentes econômicos. O tema ganha relevância para o desenho da política macro.
Proposta de âncora fiscal
Pesquisadores da EPGE/FGV, incluindo Aloisio de Araújo, destacam que a credibilidade fiscal é crucial em economias com fragilidade pública. Uma meta muito baixa pode piorar a credibilidade, elevando prêmio de risco.
A ideia defendida é adotar uma meta que combine com a realidade fiscal, mantendo o regime de metas, porém com um patamar entre 4% e 4,5%. A mudança seria condicionada a uma agenda de contenção de gastos obrigatórios.
Efeitos esperados
Defensores dizem que uma âncora fiscal sólida reduziria juros reais, fortalecendo a transmissão da política monetária. Com menos incerteza, o Banco Central poderia oferecer previsibilidade aos agentes e estimular investimento.
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