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Brasil perde atratividade como destino de carry trade, aponta Citi

Brasil perde força como destino de carry trade, diz Citi, com juros mais altos e IA redefinindo preferências globais de investimento

Johanna Chua, head de research para Emerging Markets do Citi (Foto: Ricardo Hara)
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  • O Citi diz que a vantagem do Brasil no carry trade diminuiu, com o país fraco em tecnologia e inflação mais desancorada, o que pode colocar em risco o ciclo de cortes da Selic no longo prazo.
  • A narrativa de excepcionalismo americano, impulsionada por resultados corporativos fortes e pela percepção de juros altos por mais tempo, volta a guiar fluxos de investidores globais para os EUA.
  • Dados do primeiro semestre de 2026 mostram que o fluxo estrangeiro na B3 foi de R$ 53,83 bilhões de janeiro a março, mas houve saída de R$ 17,4 bilhões de abril a junho.
  • Países com exposição à IA e teses de carry trade continuam em posições mais favoráveis; o Brasil fica atrás desses grupos sob o cenário atual.
  • Em função disso, investidores globais devem ficar mais seletivos com emergentes, buscando teses específicas para mirar o Brasil.

O instituto Citi revisou suas perspectivas para o Brasil como destino de carry trade, diante da nova percepção de risco e da desancoragem das expectativas de inflação. A visão aponta que a dinâmica de investimentos em emergentes se tornou mais complexa para o segundo semestre.

Johanna Chua, head de Research para Emerging Markets do Citi, afirma que o cenário atual reduz a atratividade tradicional do Brasil. A combinação de maior risco geopolítico, juros mais elevados por mais tempo e o impulso de IA muda o eixo de fluxos para mercados com narrativa tecnológica mais forte.

Entre 2025 e 2026, o apetite por ativos emergentes passou por uma reorientação: houve período de dólar mais fraco e rotação global de capitais, seguido por maior atenção aos EUA com balanços fortes. Hoje, esse equilíbrio é menos favorável a teses generalistas de carry trade.

Brasil fica menos exposto a IA e à IA-impulsionada demanda global

Chua aponta que países com exposição explícita à IA ganham posição diante dos demais. O Brasil, com histórico mais fraco em tecnologia e incertezas na inflação, pode ficar fora dos grupos mais beneficiados pela nova onda de investimentos em tecnologia e IA.

Ainda segundo a executiva, para manter o interesse de investidores internacionais seria necessário reduzir a distância entre as teses de IA e o cenário doméstico, incluindo o ritmo de queda da inflação e a confiança na condução da política de juros.

Prospectivas e próximos passos para o câmbio de fluxos

A executiva destaca que o Brasil já foi um destino atrativo para carry trade pela combinação de juros altos e melhoria dos termos de troca. Parte dessa vantagem, segundo ela, perdeu fôlego com o novo cenário global.

Caso o risco geopolítico se reduza e se mantenha a percepção de que o Fed pode adotar uma postura menos agressiva, o apetite por ativos de risco poderia se ampliar novamente. Nessa linha, a seletividade das teses de investimento emergentes tende a aumentar.

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