- Brasil tem potencial para elevar a participação do turismo no PIB, hoje em 8%, segundo o diretor da ONU Turismo para as Américas, Heitor Kadri.
- O país sediará, em 2027, a 3ª Cúpula da ONU Turismo para a África e as Américas, no Rio de Janeiro.
- A ONU Turismo atua para incentivar sustentabilidade, uso de combustíveis alternativos na aviação e preparação do setor para reduzir impactos ambientais e de plástico.
- Estão em andamento projetos como rotas multilocalizadas no Mercosul, a “Rota dos Jesuítas” e ações para promover turismo gastronômico com lançamento de um guia de boas práticas em agosto.
- Entre desafios, estão atração de investimentos e facilitação de vistos, com planos de 15 guias para as Américas, crédito/cooperadoras e isenções bilaterais, além de aumento de vistos eletrônicos e parcerias com bancos; de janeiro a maio, chegaram 55.260 turistas chineses ao Brasil, alta de 43% em relação ao mesmo período de 2025.
O Brasil tem potencial para elevar a participação do turismo no PIB acima do patamar atual de 8%, segundo Heitor Kadri, diretor do Escritório Regional da ONU Turismo para as Américas. Kadri afirma que o atual boom pode mobilizar governos e investidores para um ciclo de crescimento sustentável do setor.
Ele concedeu entrevista ao Valor no escritório da ONU Turismo, no centro do Rio de Janeiro, com vista para a baía de Guanabara. O Brasil sediará a 3ª Cúpula da ONU Turismo para África e Américas, prevista para 2027, na capital fluminense.
Kadri está à frente do escritório brasileiro desde a inauguração, em março do ano passado. Em pouco mais de um ano, a ONU Turismo tem atuado em múltiplos eixos para promover o turismo nas Américas, com foco em sustentabilidade.
Sustentabilidade e inovação no turismo
Entre as ações estão o engajamento de governos e iniciativa privada para reduzir impactos ambientais, proteger recursos naturais e patrimônio, e eliminar ou racionalizar o uso de plásticos. A organização também estuda alternativas aos combustíveis de aviação.
Segundo Kadri, o uso de fontes alternativas de combustível pode trazer ganhos significativos para o Brasil. Estudos da ONU Turismo indicam que entre 35% e 40% das emissões de gases de efeito estufa vêm do transporte aéreo, o que sustenta o foco em mudanças no setor.
Há planos para ampliar, na América do Sul, o trabalho do Centro Global de Resiliência e Gestão de Crises do Turismo (GTRCMC), fundado na Jamaica e apoiado pela ONU. O órgão atua em preparo, planejamento e recuperação pós-desastres naturais.
Rotas pluridestinos e apoio à economia local
Além de ações de sustentabilidade, a ONU Turismo desenvolve produtos turísticos pluridestinos com o Mercosul, incluindo a rota dos Jesuítas, que liga Paraguai, Argentina, Brasil e Chile. O objetivo é facilitar visitas a um corredor turístico internacional com foco em patrimônio jesuítico.
Outra iniciativa é a promoção de turismo gastronômico, com destaque a produtos como vinho, café e erva-mate. Um guia de boas práticas em turismo gastronômico deve ser lançado pela ONU Turismo em agosto.
Atração de investimentos e facilitação de vistos
Desafios apontados por Kadri incluem atrair investimentos para o setor. O escritório trabalha para melhorar o ambiente de negócios na região, com produção de 15 guias para as Américas sobre abertura de empresas, incentivos fiscais e oportunidades de projetos.
A ONU Turismo tem apoiado bancos na criação de linhas de crédito e na construção de metodologias e inteligência turística. A expectativa é lançar uma linha de crédito em 30 dias, envolvendo um banco multilateral e um banco comercial.
Outra frente envolve capacitação para formar uma rede latino-americana de atração de investimentos, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O objetivo é oferecer capacitação técnica ao setor público.
Facilitação de mobilidade e dados recentes
A organização ainda trabalha para facilitar a circulação de pessoas, com propostas para tornar mais ágil a emissão de vistos. Um exemplo positivo é a isenção recíproca de vistos entre Brasil e China para estadias de até 30 dias.
Entre janeiro e maio, o Brasil recebeu 55.260 turistas chineses, alta de 43% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Ministério do Turismo. Pesquisas avaliam procedimentos consulares para vistos eletrônicos.
Perspectivas para a cúpula e participação regional
Todos os eixos discutidos devem constar na 3ª Cúpula da ONU Turismo para África e Américas, evento que reúne as comissões das Américas e da África da organização. A expectativa é de forte presença de Estados-membros e ministros.
Kadri projeta uma participação ampla na cúpula, com participação de 50% a 60% dos Estados-membros das duas comissões e 30% a 40% de ministros. A reunião deve fomentar parcerias público-privadas, rodadas de negócios e intercâmbio de estratégias de promoção.
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