- Credores da Americanas ajuizaram ações na Justiça alegando falhas no pagamento do plano de recuperação judicial aprovado em dezembro de 2023.
- As petições, apresentadas à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, apontam pagamentos incompletos, descontos na conversão de dólares para reais, mudança de categoria de credor e atraso no pagamento.
- A empresa afirmou que manifestações de credores específicos fazem parte da dinâmica da recuperação e que presta esclarecimentos dentro do procedimento.
- O contexto ocorre enquanto a Americanas busca avançar para deixar a recuperação judicial e ampliar o acesso a crédito; a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, envolvendo investigações sobre fraude contábil.
- Advogados de credores comentam que a saída antecipada da RJ pode depender de comprovação de cumprimento de obrigações, e discutem impactos de investigações sobre os credores e a empresa.
A credores da Americanas entraram com ações na Justiça para contestar o pagamento do plano de recuperação judicial aprovado em dezembro de 2023. Eles alegam falhas no cumprimento do cronograma, descontos na conversão de dívida e alterações na classificação de credor. O pedido tramita na 4ª Vara Empresarial da Capital do Rio de Janeiro.
Os documentos, com datas entre março e maio deste ano, apontam pagamentos incompletos, mudanças na moeda de referência e atrasos. Os credores afirmam ainda que a varejista não estaria apta a sair da recuperação judicial, conforme pleiteado em março, até que o processo se encerre. O objetivo é manter a fiscalização judicial até a quitação integral.
A Americanas informou, em nota, que manifestações de credores específicos fazem parte da dinâmica da recuperação judicial e que a empresa presta esclarecimentos dentro do procedimento. A companhia destaca que o plano aprovado prevê obrigações até 2059 e que os pagamentos seguem o cronograma acordado.
A operação de fiscalização externa ocorre em meio a investigações da Operação Disclosure. PF e MPF apuram supostos desvios envolvendo acionistas de referência, o presidente do conselho e executivos de bancos. A investigação, deflagrada no fim de junho, é considerada relevante para o andamento do caso.
Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltam que a saída antecipada da recuperação pode depender de comprovação de cumprimento de obrigações pelos administradores e de eventual responsabilização criminal de envolvidos no suposto rombo. A defesa de credores aponta a necessidade de manter a supervisão judicial até a conclusão de apurações.
Entre os credores, há divergências sobre como classificar créditos e como acompanhar pagamentos já realizados. Em alguns casos, empresas que continuam operando com a Americanas pedem informações detalhadas sobre valores, datas de transação e saldos, para verificar se os pagamentos referem-se a dívidas correntes ou a itens da RJ.
Repercussões no plano de recuperação
A K2 Partnering Solutions, que contestou o encerramento da RJ por não se enquadrar como fornecedora de tecnologia, argumenta que parcelas já vencidas permanecem inadimplentes devido a erro de classificação. A defesa de credores financeiro aponta ainda que a conversão de créditos de dólares para reais, sem consentimento, violaria cláusulas do plano, demandando complementação imediata.
A defesa de credores ressalta que o encerramento da recuperação seria autorizado apenas se o administrador judicial demonstrar que todas as obrigações da RJ foram cumpridas, incluindo o pagamento aos credores. A Brazilian law firm explica que, sem essa comprovação, o andamento processual pode permanecer sob supervisão judicial.
A Americanas reiterou que o pedido de encerramento da RJ foi apresentado em março de 2026, com apoio do Ministério Público e do Administrador Judicial. A empresa afirma que as obrigações previstas no plano, que rege as conversões de moeda para pagamento, permanecem em dia conforme o acordo.
Entre na conversa da comunidade